Categoria: Poema
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Não te esqueças nunca

Não te esqueças nunca de Thasos nem de Egina O pinhal a coluna a veemência divina O templo o teatro o rolar de uma pinha O ar cheirava a mel e a pedra a resina Na estátua morava tua nudez marinha Sob o sol azul e a veemência divina Não esqueças nunca Treblinka e Hiroshima…
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Luis Alberto de Cuenca – O véu protetor

Amanheceu e nós estávamos dentro da vil realidade, o que não pode ser bom. Melhor seria que passassem logo as horas inúteis em que o dia proscreve a aventura com as normas do tédio laboral, e que voltassem a noite e as suas estrelas a envolver-nos no seu véu fantástico e a dar-nos a inútil…
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Yehuda Amichai – 1924

Nasci em 1924. Se eu fosse um violino da minha idade não seria dos melhores. Como vinho seria um cinco estrelas ou vinagre. Como cachorro estaria morto. Como um livro estaria me tornando caro, ou estaria abandonado num sebo qualquer. Como uma floresta eu seria jovem; como uma máquina, ridículo. Como uma criatura humana, estou…
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Walt Whitman – Pleno de vida agora

Pleno de vida agora, consistente, visível, Eu, quarenta anos vividos, no ano oitenta e três anos dos Estados, Ao homem que viva daqui a um século, ou dentro de quantos séculos for, A ti, que ainda não nasceste, dirijo este canto. Quando leias isto, eu, que agora sou visível, terei me tornado invisível, Enquanto tu…
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Miguel-Manso – No número de outubro da revista Wire

frente ao fotógrafo e ao leitor o homem envelhecido parece que já não olha Mitra o deus sol dos psicadélicos noutra foto no interior da revista o poeta está sentado a uma pequena mesa de frente para a janela onde as cortinas brancas filtram a luz e o ruído da rua sentado na cadeira de…
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Andreia C. Faria – San Cibrán de Las

Ainda aos sábados os homens passeiam pelo que resta das muralhas e as mulheres procuram vestígios – os pulsos nus, a canteira e a nascente de água, a paciência necessária a quem se alimentava desse pão É também este o meu plano para a velhice: ervas de que não sei o nome, a ruína interior…
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Gonçalo M. Tavares – uma síntese disto tudo

é porque existe o desejo, o olfato, e o medo, e os vivos apaixonam-se por outros vivos, e lembram-se, por vezes, do enorme número de mortos, e dentro destes há alguns que os fazem desligar a luz e o trabalho, e o quotidiano aí já não basta, porque o coração tem em certos dias um…
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Adelaide Ivánova – o elefante

quando johanna morreu tinha um ano e oito meses foi encontrada na piscina apertava um elefante na mão que sua mãe até hoje aperta muito embora o alzheimer lhe impeça de lembrar por que ela a mãe pulou na piscina ao ver johanna à deriva no ventinho do norte da renânia boiando na piscina que…
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Goliarda Sapienza – Sem título

Cumpriu-se. Concluiu-se. Terminou-se. Consumiu-se o incêndio. Findou-se. Fechou-se o círculo petrificado. Findou-se o tempo. Consumiu-se o delito. Queimou-se a lembrança. Cessou a angústia. Um manto de lava interditou todo crânio toda órbita esvaziada. Toda boca no grito interditou. Fechou-se o círculo. Nada atreve-se a singrar o silêncio de lava. As formigas rodeiam o fogo gasto…
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Ian Hamilton – Última Valsa

De onde estamos quase que podemos identificar Os rostos destas pessoas que não conhecemos: Um semi-círculo sombreado Ao redor do enorme aparelho de TV doado Que domina nossa ala. A ‘Última Valsa’ espalha-se sobre eles Iluminando Amistosos, exaustos sorrisos. E nós, Como se nos importássemos, também sorrimos. Para cada alma perdida, nesta hora tardia Um…