Categoria: Poema
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Geruza Zelnys – descomedimentos

que venha abaixo tudo que venha abaixo o que é tempestade e destruição que não sobre embarcação e vela que os raios queimem plantações e trovões arrebentem toda a terra e teu corpo se deite sobre o meu e tua boca mate toda fome minha e que versos & palavras do amor sejam ditos bem…
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Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Só o silêncio salva, companheiro. Só o silêncio salva. Se tiveste uma noite gloriosa em que Afrodite sorriu para ti e Baco encheu-te a taça sem cessar, pensa que em breve, quando e noite se for, teus amigos voltarem para casa e começar a amanhecer, só o silêncio te salvará, rapaz. Tem isso em conta.…
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Antonia Pozzi – Morte de uma estação

Choveu toda a noite sobre as memórias do verão. Ao anoitecer saímos no meio de um ribombar lúgubre de pedras e, parados na margem, levantamos as lanternas para explorar o perigo das pontes. Ao amanhecer vimos as pálidas andorinhas ensopadas e pousadas sobre os fios à espreita de indícios secretos de partida – e refletiam-nas…
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Dan Fante – [Eu conheci o mais faminto]
![Dan Fante – [Eu conheci o mais faminto]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2020/01/maxresdefault.jpg)
Eu conheci o mais faminto e desprezível dos gatos enquanto sentava com um livro e meio maço de cigarros num banco em Venice Beach Ele me viu e apareceu branco sujo com um olho verde e outro amarelo e um corte recente em sua orelha desfigurada Furioso como um lobo ferido ele estabeleceu uma distância…
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Dylan Thomas – Colina de samambaias

Quando, junto à casa em festa, sob os ramos da macieira, Eu era lépido e jovem, e feliz como era verde a relva, A noite suspensa sobre as estrelas do desfiladeiro, O tempo a permitir que eu gritasse e me erguesse, Dourado, no fulgurante apogeu de seus olhos, Eu, venerado entre as carroças, era o…
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Wislawa Szymborska – Vida difícil com a memória

Sou um péssimo público para a minha memória.Ela quer que eu ouça sua voz incessantemente,mas eu me agito, tusso,ouço e não ouço,saio, volto e saio de novo. Ela requer todo o meu tempo e atenção.Quando durmo, é fácil para ela.De dia já nem tanto, o que a magoa. Me propõe zelosamente velhas cartas, fotos,revolve fatos…
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A Íris Selvagem, de Louise Glück

Há livros que não se deixam atravessar como uma sequência de poemas isolados. A Íris Selvagem, de Louise Glück, é um deles. O livro se passa num jardim, mas esse jardim não é cenário. É um lugar de vozes. Flores falam. Uma consciência humana pergunta, insiste, se cansa. Uma presença divina responde, se afasta, corrige,…
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Louise Glück – Os lírios brancos

Como um homem e uma mulher fazemde um jardim entre elesum leito de estrelas, aquieles permanecem na noite de verãoe a noite se tornafria com seu pavor: tudopode acabar, tudo é capazde devastação. Tudo, tudose pode perder, pelo ar perfumadodas colunas estreitasse elevando inutilmente, e mais além,um agitado mar de papoulas — Silêncio, amada. Não…
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Louise Glück – O lírio dourado

Como percebo,estou morrendo agora e seique não falarei novamente,não sobreviverei à terra, serei convocadodela uma vez mais, ainda nãouma flor, apenas uma espinha, terra cruaaderindo às minhas costelas, eu o invoco,pai e mestre: ao redor,meus companheiras estão fraquejando, pensandoque você não os vê. Comoeles poderão saber que você os enxergaa menos que os salve?No crepúsculo…