Categoria: Poema
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – O material do relâmpago

Calculaste em detalhes cada passo, sutil, há muitos séculos. Finalmente teu marido viajou e as crianças foram dormir com os avós. Estás agora sozinha e eufórica voltaste-te a se maquiar e vestiste-te de preto rigoroso e perfumaste tua mínima porção de lingerie. Estás tremendo, dizes a ti mesma, mas nada te fará voltar atrás. Olhas…
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Carlos Drummond de Andrade – Dentaduras duplas

Dentaduras duplas! Inda não sou bem velho para merecer-vos… Há que contentar-me com uma ponte móvel e esparsas coroas. (Coroas sem reino, os reinos protéticos de onde proviestes quando produzirão a tripla dentadura, dentadura múltipla, a serra mecânica, sempre desejada, jamais possuída, que acabará com o tédio da boca, a boca que beija, a boca…
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T. S. Eliot – A Viagem dos Magos

“Foi um frio que nos colheu Na pior quadra do ano Para uma viagem, e longa era a viagem: Os caminhos enlameados e o tempo adverso Em pleno coração do inverno.” E os camelos escoriados, o casco em chagas, indóceis, Jaziam em meio à neve derretida. Foram momentos em que recordamos Os palácios estivais sobre…
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Blas de Otero – Ímpeto

Mas nem tudo há de ser ruína e vazioE nem tudo escombro ou descongelação.Por cima deste ombro levo o céu,e por cima deste outro, um vasto rio de entusiasmo. E meu corpo no meio,árvore luzente gritando do chão.E, entre raízes mortais, sofreguidão,meu coração desperto, raio sombrio. Somente o anseio me vence. Mas avançosem duvidar, sobre…
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Mary Oliver – O quarto signo do zodíaco

1. Porque eu deveria ter ficado surpresa? Caçadores percorrem a floresta sem um som. O caçador, armado com seu rifle, a raposa com seus pés de seda, a serpente em seu império de músculos — todos se movem em silêncio, famintos, cuidadosos, atentos. Exatamente como o câncer entrou na floresta do meu corpo, sem um…
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Robert Hayden – Aqueles domingos de inverno

Também aos domingosmeu pai se levantava cedoe se vestia no frio azul escuro,depois, com as mãos rachadas doloridasdo trabalho ao relento durante a semana, fazia o fogo abafado arder. Nunca ninguém lhe agradeceu. Eu acordava e ouvia ofrio se estilhaçando, se partindo.Quando a casa já estava aquecida, ele me chamava,e lentamente eu me levantava e…
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Marisa de la Peña – O tempo que nos resta

“Somos o tempo que nos resta” J. M. Caballero Bonald. É isso o que somos: o tempo que nos resta, o último batimento interrompido, a palavra não dita, o deserto cruzado, e o caminho sem nome que deixamos para trás. Somos o abandono, a intempérie, as luzes apagadas, e as portas, fechadas para sempre, ao…
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Ricardo Aleixo – Geral

O jo go é tão sujo e você (entre bis onho e biz arro) torce justo para o juiz?
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Rubén Darío – Quando vieres a amar

“Quando vieres a amar”, um poema de Rubén Darío que apresenta o amor como experiência paradoxal de luz e sombra, felicidade e dor, afirmando sua natureza inevitável e a impossibilidade de viver plenamente sem ele.