Categoria: Poema
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Louise Glück – Presque Isle

Em cada vida, há um momento ou dois.Em cada vida, um quarto em algum lugar, à beira-mar ou nas montanhas. Sobre a mesa, um prato de damascos. Caroços em um cinzeiro branco. Como todas as imagens, essas foram as condições de um pacto:em seu rosto, o tremor da luz do sol,meu dedo pressionando seus lábios.As…
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Louise Glück – Ipomoea

Qual foi o meu crime em outra vida,como nesta vida meu crimeé a dor, de modo que não me épermitido ascender novamente,nunca em nenhum sentidome é permitido repetir minha vida,ferida no espinheiro, todabeleza terrena um castigotão meu quanto seu —Fonte do meu sofrimento, por quevocê tirou de mimestas flores celestes, salvopara me marcar como partedo…
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Louise Glück – A rosa branca

É esta a terra? Entãoeu não pertenço a este lugar. Quem é você na janela acesa,sombreado agora pelas folhas trêmulasde uma viburnum lantana1?Você pode sobreviver onde eu não durareialém do primeiro verão? Ao longo da noite, os ramos finos da árvoremovem-se e farfalham na janela iluminada.Explique minha vida para mim, você que não faz sinal…
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Louise Glück – Colheita

Entristece-me pensar em vocês no passado — Olhe para vocês, agarrando-se cegamente à terracomo se fossem os vinhedos do paraísoenquanto os campos ardem ao redor — Ah, pequeninos, como são pouco sutis:isso é ao mesmo tempo o dom e o tormento. Se o que temem na morteé uma punição além disso, não precisamtemer a morte:…
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Louise Glück – Escuridão Inicial

Como podem afirmarque a terra deveria me dar alegria? Cada coisanascida é meu fardo; não posso prosperarcom todos vocês. E vocês gostariam de ditar para mim,gostariam de me dizerquem entre vocês é mais valioso,quem mais se assemelha a mim.E apresentam como exemploa vida pura, o desapegoque lutam para alcançar — Como vocês podem me entenderquando…
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Louise Glück – Vésperas (6)

Você pensou que nós não soubéssemos. Mas nós sabíamos,as crianças sabem dessas coisas. Não vire as costas agora – nós habitávamosuma mentira para apaziguá-lo. Eu me lembroda luz do sol do início da primavera, os taludesreticulados por vincas roxas. Eu me lembrode me deitar em um campo, roçando o corpo de meu irmão.Não vire as costas…
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Louise Glück – Vésperas (5)

Assim como você apareceu para Moisés, porqueeu necessito de você, você aparece para mim,raramente, porém. Eu vivo essencialmentenas trevas. Você talvez esteja me treinando para sermais responsiva ao menor clarão. Ou, como os poetas,será que o desespero o estimula, o sofrimentoo leva a revelar sua natureza? Esta tarde,no mundo material ao qual você normalmentecontribui com…
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Louise Glück – Vésperas (4)

Eu não me pergunto mais onde você está.Você está no jardim; você está onde John está,na terra, absorto, segurando sua pequena pá verde.É assim que ele jardina: quinze minutos de intenso esforço,quinze minutos de estática contemplação. Às vezes,trabalho ao lado dele, fazendo as tarefas à sombra,capinando, esfolhando as alfaces; às vezes, o observodo alpendre próximo…
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Louise Glück – Fim de verão

Depois de tudo o que me ocorreu,o vazio me ocorreu. Há um limitepara o prazer que tive na forma — Eu não sou como vocês nisso,Não tenho liberdade em outro corpo, Não precisode abrigo fora de mim — Minha pobre inspiradacriação, vocês sãodistrações, enfim,meras limitações; no final,vocês são muito pouco parecidas comigopara me agradar. E…
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Louise Glück – Margaridas

Vá em frente: diga o que está pensando. O jardimnão é o mundo real. As máquinassão o mundo real. Diga francamente o que qualquer tolo podeler em seu rosto: faz todo sentidoevitar-nos, resistirà nostalgia. Não ésuficientemente moderno, o som que o vento produzagitando um campo de margaridas: a mentenão pode brilhar ao segui-lo. E a…