Categoria: Poema
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Juan Vicente Piqueras – História universal

Um homem nasce chora cresce risofre e faz sofrer caminha cantatem sede fome frio medose perde extravasa arde sorri. Um homem sozinho no meio da noiteassobia para domar as bestas que o habitam. Abraça empurra mata beija morrese cansa de si mesmo se apaixonase entrega à vida sabe que se findaque o que é escoa…
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Hugo Mujica – Há escassos dias

Há escassos dias morreu meu pai,há muito tempo atrás. Caiu suavemente,como as pálpebras ao chegara noite, ou uma folhaque o vento não arranca, embala. Hoje não é como outras chuvas,hoje chove pela primeira vezsobre o mármore de sua lápide. Sob cada chuvapoderia ser eu quem jaz, agora eu sei,agora que morri em outro. Trad.: Nelson…
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Joan Margarit – A aventura

Quando me ausento por um momento, ao finalizaruma inspeção de obra em algum bairro estranhoe entro para tomar café em um pequeno baronde não me conhecem, penso que soualguém que parte para não mais voltar.Quando me refugio no vaziode um entreato e procuro a escadaque leva aos banheiros,sinto que ali poderia começar minha ausência.Instantes que…
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Ernesto Pérez Vallejo – A garota de preto

Hoje eu podia ter-me apaixonado por ti, apesar de tuas botas sem salto, podia até ter-te beijado assim, com o mar ao fundo, os beijos aos domingos têm um sabor distinto, mais intenso. Podia ter-te levado pelas mãos até a praia e ter-te despido docemente enquanto me ajoelhava na terra e perfumava o meu nariz.…
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Jenny Joseph – Advertência

Quando estiver velha, usarei roxoCom um chapéu vermelho que não combina e que não me cai bem.E torrarei minha aposentadoria em conhaques e luvas de verãoe sandálias de cetim, e direi que não temos dinheiro para manteiga.Sentarei na calçada quando me cansarE provarei amostras nas lojas e tocarei as campainhasE correrei minha bengala pelas grades…
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Hugo Vera Miranda – Os cavaleiros do apocalipse

Como defender-se dos furtivos invernos que aninham as moradas obscuras do desejo? Como voltar por um instante ao tempo feroz da infância onde um velho com cara de sapo solta pombas enquanto o trem passa? Como decifrar a carícia longínqua que agora atormenta a insônia? Vamos ficando sozinhos, cercados por demônios dançarinos e um tiro…
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Joan Margarit – Noite escura na rua Balmes

Cumpridas as ameaças e temores — hoje já todas as ruas levam à velhice —, passo defronte à clínica em que tu nasceste, vinte e seis anos atrás, em uma noite de corredores feridos pela luz. Aqui foi a tua chegada, pequena e indefesa, à praia feliz do teu sorriso, à dificuldade da palavra, às…
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Marianne Moore – Uma água-viva

Visível, invisível, uma flutuante sedução que uma ametista cor de âmbar habita, se aproximam seus tentáculos, abrem e fecham; você pretendia pega-los e eles tremem; você abandona este intento. Trad.: Nelson Santander A Jelly-Fish Visible, invisible, a fluctuating charm an amber-tinctured amethyst inhabits it, your arm approaches and it opens and it closes; you had…
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Antonia Pozzi – Erros

Cai graciosamente a neve sobre os cestos das floristas: embranquece os junquilhos e as violetas, as delicadas frésias vindas dos países do sol. Ao vê-las pensamos nos muitos destinos errados que sofrem pelos caminhos da terra e um furor nostálgico investe pelos caminhos de ouro da alma aonde não chega a neve. Trad.: Inês Dias…
