Categoria: Poema
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Michael Krüger – Discurso do homem lento

A história acelera,logo nos alcança,precedendo-nos com passos ligeiros.Vemos então por trása Era Glacial, Grécia,Roma, a Revolução francesa,a nuca de Stalin, as luzes traseirasdo carro de Hitler.Estranho que não se cansenem esmoreça.Às vezes se virae nos mostra sua caracom a boca escancaradae os dentes podres. Trad.: Nelson Santander (a partir de tradução para o italiano feita…
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Louise Glück – Under Taurus

Estávamos no píer, e você desejavaque eu visse as Plêiades. Eu podia vertudo, menos o que você desejava. Agora o seguirei. Não há uma única nuvem; as estrelasaparecem, até mesmo a irmã invisível. Mostre-me onde olhar,como se elas fossem ficar onde estão. Instrua-me na escuridão. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência.…
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Dan Fante – [Agora que eu já escrevi]
![Dan Fante – [Agora que eu já escrevi]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2020/02/open_road_b6355_-_geograph.org_.uk_-_150433.jpg)
Agora que eu já escrevi dez anos de livros e peças e abandonei álcool e cigarros e a gloriosa pornografia suja e minhas roupas não fedem por passar a noite dormindo no velho Pontiac e meu cabelo está caindo e estou dez quilos mais gordo Aos meus cinquenta anos com ligações a retornar e responsabilidades…
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Roberto Juarroz – Assim como não podemos

Assim como não podemossustentar por muito tempo um olhar,tampouco podemos sustentar por muito tempo a alegria,a espiral do amor,o gratuidade do pensamento,a terra em suspensão no cântico. Não podemos sequer sustentar por muito tempoas proporções do silêncioquando algo o visita.E menos aindaquando nada o visita. O homem não pode sustentar por muito tempo o homem,nem…
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T. S. Eliot – A Terra Desolada

A TERRA DESOLADA 1922 Nam Sibyllam quidem Cumis ego ipse oculis meis vidi in ampulla pendere, et cum illi pueri dicerent: Σίβνλλα τί ϴέλεις; respondebat illa: άπο ϴανεΐν ϴέλω.* A Ezra Paound Il miglior fabbro I. O ENTERRO DOS MORTOS Abril é o mais cruel dos meses, germinando Lilases da terra morta, misturando Memória e…
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Merrit Malloy – Epitáfio

Quando eu morrerDoa o que restar de mimÀs criançasE aos idosos que esperam para morrer. E se precisares chorar,Chora por teu irmãoQue caminha pela rua ao teu lado.E quando precisares de mim,Põe teus braçosEm volta de alguémE dá-lhe o que tens a me oferecer. Quero deixar-te algo,Algo melhorQue palavrasOu sons. Busca por mimNas pessoas que…
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José Emílio Pacheco – Crianças e adultos

Aos dez anos, acreditavaque o mundo era dos adultos.Podiam fazer amor, fumar, beber à vontade,ir aonde quisessem.Sobretudo, nos esmagar com seu poder indomável. Agora sei, por vasta experiência, o lugar-comum:em verdade, não há adultos,apenas crianças envelhecidas. Desejam o que não têm:o brinquedo do outro.Sentem medo de tudo.Obedecem sempre a alguém.Não governam a própria existência.Choram por…
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Juan Vicente Piqueras – Papoulas

No antigo campo de batalha onde morreram milhares de meninos cresce novamente o trigo, salpicado aqui e ali de ardentes papoulas. E dois amantes, que terão mais ou menos a idade dos soldados que aqui então morreram, hoje fazem amor no semeado. Deitam o trigo. Calcam as papoulas. Trad.: Nelson Santander Amapolas Sobre el antiguo…
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Louise Glück – Outubro

1. É inverno outra vez, faz frio outra vez, Frank não escorregou no gelo, ele não se curou, não se plantaram as sementes da primavera a noite não terminou, o gelo derretido não inundou as calhas estreitas meu corpo não foi resgatado, não era seguro não se formou a cicatriz, invisível sobre a lesão terror…
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Raquel Lanseros – A propósito de Eros

De todas as terrenas servidões que aprisionam meu afã neste cárcere confesso-me devedora da carne e de todos os seus íntimos vaivéns que me fazem mais feliz e menos livre. Às vezes, porém, a escravidão se mostra soberana e me sinto senhora do destino. Porque sei amar, porque provei da fruta e nunca maldisse o…