Categoria: Poema
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Louise Glück – Crepúsculo de Setembro

Eu os reuni,eu posso dispensa-los — Estou farto de vocês, do caosdo mundo dos vivos —Eu só posso me estenderpor tanto tempo a algo vivo. Convoquei-os à existênciaao abrir minha boca, ao erguermeu dedo mínimo, cintilando azuis deaster selvagem, florde lírio, imensa,com veias douradas — Vocês vêm e vão; eventualmenteesqueço seus nomes.Vocês vêm e vão,…
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Louise Glück – O lírio prateado

As noites esfriaram novamente, como as noitesdo início da primavera, e estão silenciosas outra vez. Incomoda-oconversarmos? Estamossozinhos agora; não há razão para o silêncio. Você pode ver, sobre o jardim — a lua cheia nasce.Eu não verei a próxima lua cheia. Na primavera, quando a lua surgia, significavaque o tempo era infindo. Campainhas-brancasabriam e fechavam,…
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Louise Glück – Acalanto

Hora de descansar agora; vocêjá teve emoção suficiente por ora. Crepúsculo, depois início da noite. Vaga-lumesno quarto, cintilando aqui e ali, aqui e ali,e a profunda doçura do verão inundando através da janela aberta. Não pense mais nessas coisas.Escute minha respiração, sua própria respiraçãocomo os vaga-lumes, cada pequena respiraçãouma centelha na qual o mundo se…
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Louise Glück – Ocaso

Minha maior alegriaé o som que sua voz produzme chamando mesmo no desespero; meu desgostoé não poder responderem uma fala que você reconheça como minha. Você não tem fé em sua própria linguagem.Por isso investea reputação em sinaisque não consegue ler com precisão. E ainda assim sua voz sempre me alcança.E eu respondo incessantemente,minha raiva…
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Louise Glück – Vésperas (10)

Fim de agosto. Calorcomo em uma estufa sobre ahorta do John. E algumas coisastêm a coragem de começar,cachos de tomates, talhõesde lírios tardios – otimismodas grandes hastes – ouroe prata imperiais: mas por queiniciar algotão perto do fim?Tomates que nunca amadurecerão, líriosque o inverno matará, que nãoretornarão na primavera. Ouvocê acha queeu passo tempo demaispensando…
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Rebecca Elson – Antídotos para o medo da morte

Às vezes, como antídotoPara o medo da morte,Eu como as estrelas. Nessas noites, deitada de costas,Eu as sorvo da escuridão que as apagaAté estarem todas, todas dentro de mim,Ardentes e pungentes. Às vezes, em vez disso, eu me misturoA um universo ainda jovem,Ainda quente como o sangue: Sem espaço exterior, apenas espaço,A luz de todas…
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Louise Glück – Vésperas (9)

Sua voz se foi agora; mal consigo ouvi-la.Sua voz estrelada é apenas sombra agorae a terra está escura novamentecom suas grandes transformações. E de dia a grama fica parda em alguns pontossob as amplas sombras dos carvalhos.Agora, por toda parte, sou assunto para o silêncio, então está claro que não tenho acesso a você;Não existo…
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Louise Glück – Vésperas: Parousia

Amor da minha vida, vocêEstá perdido e eu souJovem novamente. Alguns anos se passaram.O ar se encheCom música de meninas;No jardim da frenteA macieiraSe cobre de flores. Eu tento reconquista-lo.É esse o propósitoDa escrita.Mas você se foi para sempre.Como nos romances russos, dizendoAlgumas palavras das quais não me lembro – Quão exuberante é o mundo,Quão…
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Louise Glück – Vésperas (7)

Eu sei o que você planejou, o que pretendia ao me ensinara amar o mundo, tornando impossívelvirar completamente as costas, excluí-lo completamente para sempre –está por toda parte; quando fecho os olhos,no canto dos pássaros, no aroma de lilases no início da primavera, no aroma de rosas no verão:você quer arrancar de mim cada flor,…
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Louise Glück – Luz em retirada

Vocês eram como crianças pequenas,sempre esperando por uma história.E eu já havia passado por tudo aquilo muitas vezes;eu estava cansado de contar histórias.Então eu lhes dei papel e lápis.Eu lhes dei canetas feitas de juncos queeu mesmo havia reunido, à tarde, nos densos prados.E lhes disse: escrevam sua própria história. Depois de todos estes anos…