Categoria: Poema
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Juan Vicente Piqueras – Ristorante dal 1882–

Ristorante dal 1882–leio no cardápio e me ponho a pensarque numa noite, há mais de um século,numa noite igual a esta,houve um grupo de amigos que aqui jantou,como nós fazemos agora,e riram, conversaram, passaram o sal,mais ou menos felizes, fugazes, encantadosde estarem juntos rindocomo nós fazemos agora,e que nenhum deles vive maise agora somos nós,os…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – O primeiro homem

Era como uma árvore da terra nascida Confundindo com o ardor da terra a sua vida, E no vasto cantar das marés cheias Continuava o bater das suas veias. Criados à medida dos elementos A alma e os sentimentos Em si não eram tormentos Mas graves, grandes, vagos, Lagos Refletindo o mundo, E o eco…
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Alfonso Brezmes – Notas marginais

Leia “Notas marginais”, de Alfonso Brezmes, um poema delicado sobre memória, releitura e as transformações silenciosas provocadas pelo tempo.
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Wislawa Szymborska – Para o meu próprio poema

Na melhor das hipóteses, meu poema, você será lido atentamente, comentado e lembrado. Na pior das hipóteses somente lido. Terceira possibilidade – embora escrito, logo jogado no lixo. Você pode se valer ainda de uma quarta saída – desaparecer não escrito murmurando satisfeito algo para si mesmo. Trad.: Regina Przybycien Do własnego wiersza W najlepszym…
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Carlos Montemayor – Memória

Estou aqui, em casa, a sós.Aqui estão os móveis, o ar, os ruídos.Tenho um sentimento tão transparentequanto a vidraça de uma janela.É como a janela pela qual olhava a neve ao amanhecer,há muitos anos, quando criança,e colava o rosto contra o vidro e compreendia toda a vida.É um desejo calmo, como a tarde.É estar como…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – S.T.T.R. Sit Tibi Terra Levis

Hoje lembro os mortos da minha casaOctavio Paz De todos os nossos mortos, jamais esqueceremoso primeiro. O meu habita a raiz do outono,sob os álamos. Sua memóriame oferece uma murta enquanto se inclinacom os braços abertos de outros dias. Lembrode sua estatura nas sombras, prestes a afastar-sedo espelho, seu rosto velado, o ornamentodas obstinadas lições…
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Gonçalo M. Tavares – O idiota

Os irmãos com saúde,os meus pais vivos,um pouco deprimidos, mas lúcidos e vivos.Uma mulher que me espera à porta, e sorri,um bebê com um ano e meio, uma rapariga, vem aí outra;quando regresso a minha mulher recebe-me a sorrir com uma barriga grande. Um café, outro,o caderno preto à minha frente, o tempo,nada para fazer a não ser…
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T. E. Hulme – Outono

Um fio de frio na noite outonal —Fui para o quintalE vi a lua rubra inclinar-se sobre o folharalComo um rancheiro de rosto rosado.Não parei para falar, mas dei aval,E ao redor estavam as tristes estrelasCom pálidas faces como crianças da cidade. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e…
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Charles Simic – O dicionário

Talvez haja uma palavra em algum lugarpara descrever o mundo nesta manhã,uma palavra para o jeito como a primeira luzse deleita em perseguir as sombraspelas vitrines e entradas das lojas. Outra palavra para o modo como ela se detémsobre um par de óculos de aros finosque alguém deixou cair na calçadana noite passada e cambaleou…
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Lope de Vega – Desmaiar, ousar, ficar furioso

Desmaiar, ousar, ficar furioso,áspero, terno, generoso, esquivo,entretido, mortal, defunto, vivo,leal, falso, covarde e corajoso; não achar, para além, paz e repouso,mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,irritado, valente, fugitivo,satisfeito, ofendido, receoso; furtar o rosto ao claro desengano,sorver veneno por licor suave,esquecer o proveito, amar o dano; crer que um céu em um inferno cabe,dar a vida e…