Categoria: Poema
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Laura Liuzzi – Fio Sem Fim

Chega-se, enfim, à última páginaembora deixe claro: não se chegaao fim. Um mesmo fio fino frágilmas firme, da mesma fibra de rioconduz memória e história: storage— está estendido para sempree para sempre soará, suaráa cada renovação do sol, mesmoquando atingirmos o final —mesmo assim não se chegaráao fim. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em…
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Dorianne Laux – Os amantes

“Os amantes”, um poema de Dorianne Laux que explora a entrega radical do corpo como passagem para uma verdade essencial, onde prazer e vulnerabilidade se confundem.
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Anne Sexton – Frágil Fio

Minha féé um grande pesopendurado num frágil fio,como a aranhasuspende seu bebê numa fina teia,como a videira,toda ramos e madeira,sustenta uvascomo globos oculares,como tantos anjosdançam na cabeça de um alfinete. Deus não precisade muito fio para mantê-Lo ali,apenas uma veia fina,com sangue pulsando,e um pouco de amor.Como já se disse:O amor e a tossenão podem…
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Philip Larkin – A casa está tão triste

A casa está tão triste. Ficou como foi deixada,Moldada para o conforto dos últimos saintesQuerendo reconquista-los. Ao invés, despojadaDe alguém para agradar, ela definha assim, carenteDe um coração para esquecer que foi roubada E voltar novamente às origens – um retratoAlegre de como as coisas deveriam ser –Há muito perdidas. Veja como era de fato:Observe…
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José Saramago – É tão fundo o silêncio…

É tão fundo o silêncio entre as estrelas.Nem o som da palavra se propaga,Nem o canto das aves milagrosas.Mas lá, entre as estrelas, onde somosUm astro recriado, é que se ouveO íntimo rumor que abre as rosas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 15/12/2017
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Jennifer Chang – O mito de ontem

Quando Ícaro caiu do céu, eu levava meus filhos para o rio. Mamãe, o que é aquilo? Um pássaro, eu disse, porque não podia dizer tragédia. Jovens demais para entender o terror de confiar nos pais, meus filhos notaram asas como pés chutando o solo das nuvens. Isso foi ontem. Aproximávamos-nos do Anacostia, correndo por…
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Carlos Drummond de Andrade – O Retrato Malsim

O inimigo maduro a cada manhã se vai formandono espelho de onde deserta a mocidade.Onde estava ele, talvez escondido em castelos escoceses,em cacheados cabelos de primeira comunhão?Onde, que lentamente grava sua presençapor cima de outra, hoje desintegrada? Ah, sim: estava na rigidez das horas de tenência orgulhosa,no morrer em pensamento quando a vida queria viver.Estava…
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Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido

Como foi que isso aconteceu, eu me perguntava,que uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas,sem falar em veículos e animais – tivesse,um belo dia, afundado? Quer dizer, eu dizia a mim mesma, o mundo era pequeno naquela época.Uma grande cidade certamente teria feito falta?Sinto falta da nossa velha cidade — pimenta-branca, morcela branca, você e…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…
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Czesław Miłosz – Encontro

Ao amanhecer, cruzávamos os campos congelados em uma carroça.Uma asa vermelha se ergueu da escuridão. E subitamente uma lebre atravessou a estrada.Um de nós apontou para ela com a mão. Isso foi há muito tempo. Hoje, nenhum deles vive, Nem a lebre, nem o homem que fez o gesto. Oh, meu amor, onde estão, para…