Categoria: Poema
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Idea Vilariño – Ou quem sabe nove

Talvez tenhamos tido só sete noitesnão seinão as conteicomo poderia.Talvez não mais que seisou quem sabe nove.Não seimas valeramcomo o amor mais duradouro.Talvezcom quatro ou cinco noites como essasmas precisamente como essastalvezse possa vivercomo de um longo amoruma vida inteira. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com pequenas alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em…
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Zbigniew Herbert – Uma vida

Eu era um rapaz sossegado, um tanto sonolento e — surpreendentemente —ao contrário dos meus colegas — que ansiavam por aventuras —não nutria grandes expectativas — não costumava olhar pela janelaNa escola, era mais diligente do que competente — dócil e estável Depois, veio uma vida normal de um funcionário comum,levantar cedo rua bonde escritório…
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Manuel António Pina – Lugares da infância

Lugares da infância ondesem palavras e sem memóriaalguém, talvez eu, brincoujá lá não estão nem lá estou. Onde? Diantede que mistérioem que, como num espelho hesitante,o meu rosto, outro rosto, se reflecte? Venderam a casa, as floresdo jardim, se lhes toco, ficam hirtase geladas, e sob os meus passosdesfazem-se imateriais as rosas e as recordações.…
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Peter Everwine – Chuva

Ao anoitecer, quando a luz vaciloue a pereira diante de minha janela escureceu,pousei meu livro e me postei junto à porta aberta,as primeiras gotas de chuva golpeando os beirais,um cheiro de terra molhada no vento.Sessenta anos atrás, deitado ao lado do meu pai,meio adormecido, sobre uma cama de ramos de pinheiro,enquanto a chuva tamborilava contra…
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Eduardo Chirinos – O que meu pai realmente quer de mim

1Esta noite tive um sonho. Seguia meu paipor uma estrada de terra. Os dois íamos a cavaloe mal trocávamos uma palavra. Ao longe, avistava-sea sombra de alguns salgueiros, as luzes de um povoadodesconhecido e remoto. De repente, meu pai deteveseu cavalo e perguntou se eu sabia para onde íamos.Respondi que não. Então estamos bem, ele…
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Mary Oliver – Sobre viajar para lugares bonitos

Ainda procuro Deus todos os diase ainda o encontro por toda parte,no pó, nas floreiras.Seguramente, nos oceanos,nas ilhas distantes, continentes de gelo, países de areia,cada um com seu próprio conjunto de serese um Deus, qualquer que seja seu nome.Que perfeito estar a bordo de um naviotalvez ainda com cem anos pela frente.Mas é tarde, para…
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Wislawa Szymborska – Gato num apartamento vazio

Morrer — isso não se faz a um gato.Pois o que há de fazer um gatonum apartamento vazio.Trepar pelas paredes.Esfregar-se nos móveis.Nada aqui parece mudadoe no entanto algo mudou.Nada parece mexidoe no entanto está diferente.E à noite a lâmpada já não se acende. Ouvem-se passos na escadamas não são aqueles.A mão que põe o peixe…
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: VII – Encontrando algo

Uma cena familiar aproxima infância, envelhecimento e a tarefa de carregar aquilo que amamos. O poema encontra sentido em gestos concretos de cuidado, enquanto felicidade e passagem do tempo permanecem discretamente ligadas.
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: VI – Sozinho

Depois da perda, estar sozinho não significa apenas ausência: o mundo continua oferecendo beleza, prazer e exigência. Jack Gilbert sustenta a tensão entre morte e felicidade, procurando uma forma de viver sem negar nenhuma delas.
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: V – Michiko morta

A morte de Michiko é figurada pelo esforço físico de carregar uma caixa pesada sem jamais colocá-la no chão. O poema transforma o luto em gesto corporal contínuo, feito de exaustão, adaptação e cuidado.