Categoria: Poema
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Richard Howard – Princípios elementares aos setenta e dois

Quando consideramos as estrelas(o que mais podemos fazer com elas?) e atéreconhecemos entre elas figuras paternas siderais (foi nossoolhar que as dispôs assim),elas sempre brilharão mais que nós, pois mudamos. Quando contemplamos a água(que não se deixa reter, pois não cessa de se transformarem si mesma), é assim que gostaríamos de nos mover — mas…
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Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Então o medo era isto?Não os ameaçadoresfantasmas do pensamento e da consciência.Não os longos corredores de hospitaiscom lâmpadas fluorescentes dia e noite.Nem sequer o tremor de irrealidadeque permanece na alma se te recordas. O medo, aparentemente, é calmo: Chega quando fechas a janelae compreendes que tudo quanto vêsé o mesmo que ontem, e seráigual amanhã…
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Cheryl Pearson – Contando estrelas

O cheiro de gelo nos pinheiros. Frio e verde,como uma lufada de hortelã. Suas omoplatas como asas de anjocortando a grama. Moisés dividiu as águas assim mesmo.Não foi tão milagroso quanto isto. Nós. Sua pele, a brancura dela brilhandoatravés do algodão. Você faz um círculo com o polegar e o indicador,uma lente telescópica. E diz:…
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Joan Margarit – Shostakovich. Sinfonia ‘Leningrado’

Lembras-te? Joana1 havia morrido.Íamos para o norte, tu e eu, de carro,para o apartamento junto ao mar,e ouvíamos esta sinfonia.Iniciamos a viagem em uma manhãluminosa e, dentro da música,o dia era de muros cobertos pelo gelo,sombras com sacos meio cheiose, no lago, trenós com cadáveres.Como uma pista de aeroporto ao sol,fugia a estrada, e por…
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Ada Limón – O real motivo

“O Real Motivo”, um poema de Ada Limon que parte de uma conversa aparentemente trivial sobre tatuagens para revelar uma história profunda de perda, sobrevivência e amor materno.
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Carlos Drummond de Andrade – A um varão que acaba de nascer

Chegas, e um mundo vai-secomo animal ferido,arqueja. Nem apontaum forma sensível,pois já sabemos todosque custa a modelar-seuma raiz, um broto.E contudo vens tarde.Todos vêm tarde. A terraanda morrendo sempre,e a vida, se persiste,passa descompassada,e nosso andar é lento,curto nosso respiro,e logo repousamose renascemos logo.(Renascemos? talvez)Crepita uma fogueiraque não aquece. Longe.Todos vêm cedo, todoschegam fora do…
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Adrienne Rich – (Dedicatórias)

Leia Dedicatórias, de Adrienne Rich, um poema sobre leitura, pertencimento e os laços invisíveis que unem pessoas através da linguagem.
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Hayden Carruth – Ensaio

Tantos poemas sobre mortes de animais.O sapo de Wilbur, o ouriço de Kinnell, o esquilo de Eberhart,e aquele poema de alguém – Hecht? Merrill? –sobre cremar uma marmota. Mas sobretudoeu me lembro do número ultrajante deles,como se todo poeta, inclusive eu, tivesse escrito ao menosuma elegia animal; como resultado, hoje, quando cheguei a um poema…
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá nunca uma porta. Já estás dentro.E o alcácer abarca o universoE não tem anverso nem reversoNão tem extremo muro nem secreto centro. Não esperes que o rigor do teu caminhoQue fatalmente se bifurca em outro,Que fatalmente se bifurca em outro,Terá fim. É de ferro teu destino Como o juiz. Não creias na investidaDo…
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W. S. Merwin – Para o aniversário da minha morte

Todo ano, sem perceber, passo pelo diaEm que as últimas chamas acenarão para mimE o silêncio colocar-se-á a caminhoInfatigável viajanteComo os feixes de uma estrela sem luz Então, não me encontrareiNa vida como em um estranho trajeSurpreso com a terraE o amor de uma mulherE a desfaçatez dos homensComo hoje escrevendo após três dias de…