Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Dean Young – Ode às cinzas

Quando a vi mais adiante, corri dois quarteirõesgritando seu nome; depois, percebendo que não eravocê, mas uma sósia assustada, continueicorrendo, gritando agora aos céus, perpetuandosua fama e seu brilho. Desde quefui incinerado, muitas vezes voltei a este pensamento – o de que todas as coisas amadas são perseguidas e nunca capturadas,mesmo enquanto dormia ao meu…
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Walter Savage Landor – Epitáfio

Não lutei com ninguém; nada valia a lida.Amei a natureza, e, tanto quanto, a arte;As mãos, estas aqueci no fogo da vidaQue naufraga; estou pronto para o desate. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 09/02/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva…
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Warsan Shire – Feia

Feia Sua filha é feia.Ela conhece a perda de perto,leva cidades inteiras em seu ventre. Quando criança, parentes não a seguravam.Ela era madeira estilhaçada e água do mar.Diziam que ela lhes lembrava a guerra. No seu décimo quinto aniversário, você a ensinoua trançar o cabelo como cordae perfumá-lo com incenso. Você a fez gargarejar com…
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Sharon Olds – Depois

Depois que o urso de 250 quilos passa por mim,da esquerda para a direita, a apenas um metro e meio de distância,percebo que agora começo a respirar pesadamenteno meio dos meus doze degraus — então eu medeito na cama e ofego por um tempo.E o tremor se intensifica, de modo que, quando estou cozinhando,literalmente misturo…
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Kim Moore – Para minha filha

E mais tarde, quando ela perguntar,direi que algumas partes foram belas –como, em seu brilhoe súbita abertura,os rostos dos vizinhospassaram a parecer flores.Contarei como começamosa revisitar fotosde nossos eus mais jovens,abraçados a um estranhoou apoiados nos ombrosde amigos, e vimos que o toquesempre foi uma espécie de santidade,uma forma de adoração que nos foi prometida.Direi…
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Marge Piercy – Canção de amor matinal

“Canção de amor matinal”, um poema de Marge Piercy que celebra a plenitude do amor e do desejo em imagens sensoriais ligadas ao verão e à natureza, retratando um eu lírico transbordante de afeto, vitalidade e entrega amorosa.
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Ian Hamilton – Despertar

“Despertar”, um poema de Ian Hamilton que expõe a intimidade dolorosa do amor diante da perda de memória, onde o mundo se fecha e resta apenas a presença fiel.
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Dan Gerber – Dia da marmota

para Emmylou Ouço um ganido abafado no corredor.Nossa velha cadela, Eudora, fez um movimento erradoe deslocou os discos desgastados de sua coluna. De resto, ela está feliz, eu acho.Ela ofega e bate sua incansável caldaem minha perna quando fazemos uma pausa em nossa caminhada levepelas colinas e aindacede ao seu faro acima de qualquer outro…
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José María Cumbreño – Identidade

Durante anos, a roupa que vesti herdei do meu irmão mais velho.Meu nome me foi dado em homenagem ao meu avô.O primeiro carro que dirigi era de segunda mão.A primeira mulher que me beijou já havia beijado outros.A casa em que moro é alugada.Tudo o que eu vier a escrever alguém já terá escrito muito…
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Dorianne Laux – Eu te desafio

É outono, e estamos nos livrandodos livros, nos preparando para aposentar emudar para um lugar menor, maisgerenciável. Vivendo ao contrário,na nova casa à prova de idade, nadano chão para tropeçar, nenhum obstáculopara os vagarosos mecanismos de nossos corpos,uma mesinha para dois. Nosso mundo estáencolhendo, nossos armários, quase vazios,se foram as saias justas e os sapatos…