Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Francisco Brines – Os Verões

A Carmen Marí Foram longos e ardentes os verões!Ficamos nus juntos ao mar,e o mar ainda mais nu. Com os olhos,e em corpos ágeis, praticávamosa mais prazerosa posse do mundo. Éramos tocados por vozes banhadas de lua,e era a vida vulcânica e violenta,ingratos com o sonho, fluíamos.O ritmo sombrio das ondasnos abrasava eternamente, e éramos…
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Clint Smith – Tudo ao mesmo tempo

As sequoias estão em chamas na California. Uma inundação submerge um bairro que por três séculos repousou tranquilo no litoral. Uma criança dá os primeiros passos e cai nos braços do pai. Duas pessoas em Nova Orleans se apaixonam sob um carvalho cujos galhos se curvam como a tristeza. Uma floresta de sementes é plantada…
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Poemas Palestinos

Mosab Abu Toha Em uma noite sem estrelas Em uma noite sem estrelas,eu viro de um lado para outro.A terra treme, e eu caio da cama.Olho pela minha janela. A casavizinha não existe mais. Está deitada, como um velho tapete nochão da terra, pisoteada por mísseis, largos chinelosvoando de pés sem pernas.Eu não sabia que…
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C. Dale Young – O ponto

Os outros médicos afirmaram que ele morreria dentro de um mês. Ele continuou vivo por anos: a simples verdade é que ele mal tinha trinta anos, mas já estava morrendo há quase dois. O desejo de profecia está íntima e profundamente enraizada no retorcido e humano coração — nós o buscamos, sua borda metálica brilhante.…
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Francisco X. Alarcón – Prece

Quero um deuspor cúmpliceque vire a noiteem espeluncasde má reputaçãoe acorde tardeaos sábados um deusque assobiepelas ruase estremeçadiante dos lábiosdo seu amor um deusque fique na filaà entradados cinemase tome café com leite um deusque cuspasangue detuberculosoe não tenhanem para o ônibus um deusque desmaiecom uma cacetadada polícianum atode protesto um deusque se urinede medo…
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Joan Margarit – Cemitério de Montjuïc

Algo resta das almas,como a brisa que surgedepois de alguém passar,e que faz estremeceruma fina cortina na janela.Pela trilha de pedras ásperas que não esquecemmas calam, severas, o que sabem,o vento deixa um silêncio de lágrimaspor vidas como a nossa, perdidas.“Jazigo perpétuo”, a terrasempre dura, fileiras de ciprestes:provinciano teatro da morte.Nosso amor é como o…
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Ada Limón – Em um poste de luz, há muito tempo

Não sei por onde começar na lista de todas as coisas que estão desaparecendo: peixes, pássaros, árvores, flores, abelhas, e também idiomas. Dizem que, se as taxas históricas forem calculadas, um idioma morrerá a cada quatro meses. No tempo que leva para dizer eu te amo, ou ir morar com alguém, ou admitir o filho…
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Aimee Nezhukumatathil – Ação de Graças

O único ano em que não me lembro do perufoi aquele em que jantei pela primeira vez com o homem com quem me casaria. Bendita seja a tigelade batata-doce, o marshmallow derretido em uma poça de creme espiralado. Benditos sejam os assentos não atribuídos para que eu pudesse sentar ao lado dele. À mesa: um…
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Bob Hicok – Alzheimer

As cadeiras se movem sozinhas, assim como os livros.Os netos vêm visitá-la, são jovens e sem nomes, peças ausentes nos quebra-cabeçasde seus rostos. Ela é como um peixe no oceano profundo, seu corpo é feito de luz.Ela flutua pelos cômodos, pelosmeus olhos, uma velha desprovidade memórias, da parábola de sua vida. E mesmo que seja…
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Lisel Mueller – Isso é o que você fará

O que você fez quando a geleira cobriu sua boca com gelo quando suas escamas se desprenderam e foram deixadas no chão para se deteriorar quando você parou de trilhar as águas e começou a respirar o ar? O que você fez quando percebeu que era diferente dos outros quando foi privado de sua pelagem…