Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Louise Glück – Matinas* (1)

Brilha o sol; perto da caixa de correio, folhasde uma bétula dividida, dobradas, plissadas como barbatanas.Abaixo, hastes ocas de narcisos brancos, Tulipas,Cantatrice**; folhasescuras de violetas selvagens. Noah dizque os depressivos odeiam a primavera, desequilíbrioentre o mundo interior e exterior. Eu defendooutra perspectiva – deprimida, sim, mas de alguma forma apaixonadamenteunida à árvore viva, meu corporealmente…
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Louise Glück – A íris selvagem

No fim do meu sofrimentohavia uma saída. Ouça-me: aquilo que você chama de morteeu me recordo. Acima, ruídos, ramos de pinheiros se movendo.Depois, nada. O sol fracocintilava sobre a superfície ressequida. É terrível sobrevivercomo consciênciaenterrada na terra escura. E então acabou: aquilo que você teme, sendouma alma e incapazde falar, terminando abruptamente, a terra duracedendo…
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Wendell Berry – Antes do Anoitecer

Da varanda no crepúsculo, observeium martim-pescador selvagem em um vooque ele só poderia estar realizando por deleite. Ele desceu pelo rio, chapinhandocontra o rosto turvo da águacomo uma pedra saltitante, passando rio abaixo até sumir de vista. E aindaeu podia ouvir o chapinharcada vez mais distante à medida que escurecia. Ele voltoupelo mesmo caminho, escuro…
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Joseph Stroud – Primeira Canção

Naquela distante manhã na fazenda de Ruthquando me escondi entre as glicíniase observei os beija-flores. Eu penseique o rubi ou o ouro que reluzia em seus pescoçosfosse o sangue adocicado das flores.Eles mergulhavam seus bicos perfurantesem uma coroa de pétalas até suas cabeçasdesaparecerem. As flores se confundiam com as asas,e a respiração que eu ouviavinha…
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Joan Margarit – Água-forte

O granizo metralha as vidraças,as rajadas arrasam as calçadas.E tu e eu aqui, onde o mau temporesume os obstáculos que às vezesnos levam à beira do abismo.Olhos brilhantes de desacertos,mãos queimadas por se salvarem agarradasaos gelados corrimãos do inferno.Que o acaso continue disparandosem razão, como sempre, nas vidraças.Além do amor – desse nosso amor –nada…
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Manuel Vilas – Delia’s Gone

“Delia’s Gone”, um poema de Manuel Vilas que aborda de forma provocativa e irônica a relação entre amor, abandono e suicídio, evocando figuras como Ian Curtis, Mariano José de Larra e Sylvia Plath para refletir sobre a idealização trágica da morte por amor e o vazio deixado pela perda.
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Joan Margarit – Anos Sessenta

Lento, muito mais lento, tempo meu: falemos sobre o amor mesmo que as rosas tenham que acabar sempre na lixeira. Deslumbrou-nos um futuro. Que futuro? Sem esperança alguma, críamos em algo, ou, porque era difícil a fé em algo, nunca perdemos a esperança. Restam as bandeiras vermelhas de perigo defronte ao mar bravio. Lembro-me de…
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Luis Alberto de Cuenca – Nos veremos novamente

Nos veremos novamente onde sempre é de dia e os feios são bonitos e eternamente jovens, onde os poderosos não abusam dos mais fracos e, das árvores, pendem brinquedos e gibis. Nesta morada de luz que não fere os olhos Voltaremos, tu e eu, a dizer-nos bobagens de mãos dadas, contemplando as ondas a morrer…
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Jaime Gil de Biedma – Canção de aniversário

Porque são já seis anos desde então, porque não há na terra, ainda, nada tão doce quanto um quarto para dois, se for teu e meu; porque até o tempo, esse parente pobre que conheceu dias melhores, parece hoje partidário da felicidade, cantemos, alegria! E, depois, levantemo-nos mais tarde, como no domingo. Que a manhã…
