Louise Glück – O jardim

Eu não poderia faze-lo novamente,
Mal posso olhar para isso —

no jardim, sob a chuva fraca,
o jovem casal cultiva
uma fieira de ervilhas,
como se nunca ninguém houvesse feito isso antes,
as grandes dificuldades ainda não
foram enfrentadas e resolvidas —

Eles não conseguem ver a si próprios,
na terra fresca, começando
sem perspectivas,
as colinas verde-claras atrás deles, ofuscadas pelas flores —

Ela quer parar;
ele quer ir até o fim,
continuar a tarefa —

Olhe para ela, tocando sua face
para obter uma trégua, seus dedos
gelados pela chuva de primavera;
na relva fina, explosões de crocus púrpuras —

mesmo aqui, mesmo no início do amor,
a mão dela ao abandonar seu rosto forma
uma imagem da despedida

e eles se julgam
livres para negligenciar
essa tristeza.

Trad.: Nelson Santander

The garden

I couldn’t do it again,
I can hardly bear to look at it —

in the garden, in light rain
the young couple planting
a row of peas, as though
no one has ever done this before,
the great difficulties have never as yet
been faced and solved —

They cannot see themselves,
in fresh dirt, starting up
without perspective,
the hills behind them pale green, clouded with flowers —

She wants to stop;
he wants to get to the end,
to stay with the thing —

Look at her, touching his cheek
to make a truce, her fingers
cool with spring rain;
in thin grass, bursts of purple crocus —

even here, even at the beginning of love,
her hand leaving his face makes
an image of departure

and they think
they are free to overlook
this sadness.

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