Mês: agosto 2019
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Eugénio de Andrade – Sou fiel ao ardor…

Sou fiel ao ardor, amo esta espécie de verão que de longe me vem morrer às mãos, e juro que ao fazer da palavra morada do silêncio não há outra razão.
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Joan Margarit – Vida Social

Idealizavas esta solidãopara ouvir música ou ler,e caminhar no inverno junto ao mar.Mas a solidão é uma chuvaque suja as janelas deste trem dos anos.A solidão é a palavra crueldo acre ressentimento familiar.É a lei do acaso, um labirinto injusto.É não ter dinheiro, é ter medo.É o sexo, uma estranha pista falsaque conduz ao mais…
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Manuel António Pina – A avó

Tinha ao colo o gato velho cansadamente passando a sua branca mão pelo pelo dele preto e brando Sentada ao pé da janela olhando a rua ou sonhando-a todo o passado passando a passos lentos por ela Dormiam ambos enquanto a tarde se ia acabando o gato dormindo por fora a avó dormindo por dentro
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Gregory Corso – Tenho 25

Com um amor louco por Shelley Chatterton Rimbaud e o ganido carente de minha juventude passou de orelha a orelha: EU ODEIO OS VELHOS POETAS! Especialmente velhos poetas que se retratam que consultam outros velhos poetas que falam de suas juventudes em sussurros, dizendo: – Eu fiz mas isso é passado isso é passado…
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Armando Silva Carvalho – Struggle for life

Cheguei há muito à idade filosófica, Secaram-me os sonetos na tão nervosa pena dos sentidos. As aves lânguidas e longas do desejo – Que não eram lânguidas Nem longas – Voaram dos meus sonhos para nunca mais. Houve quem ouvisse os seus gritos românticos, Seguisse o seu devaneio em círculos voláteis, Em versos de dez…
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Oscar Wilde – Da vaidade

“Por que você chora?”, perguntaram as Oreiades. “Choro por Narciso”. “Ah, não nos espanta que você chore por Narciso”, continuaram elas. “Afinal de contas, todas nós sempre corremos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza”. “Mas Narciso era belo?”, quis saber o lago. “Quem…
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André Oviedo – Caixa-Preta

em algum lugar depois do fim flutuando entre os destroços encontraremos a caixa-preta e poderemos finalmente restituir o passado palavra por palavra como chaves perdidas no tempo a reabrirem as portas que nos trouxeram até aqui
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Walter Savage Landor – Rose Aylmer

Ah, de que vale a régia raça! E esta forma celeste! Toda virtude, toda graça! Rose Aylmer, tudo o que foste. Rose Aylmer, meus olhos despertos Eles choram, mas não veem, Uma noite de dor te oferto, E de lembranças também. Trad.: Nelson Santander Rose Aylmer Ah, what avails the sceptred race! Ah, what the…
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François Villon – Balada dos Enforcados

Irmãos humanos que ao redor viveis, Não nos olheis com duro coração, Pois se aos pobres de nós absolveis Também a vós Deus vos dará perdão. Aqui nos vedes presos, cinco, seis: Quanto era cara viva que comia Foi devorado e em pouco apodrecia. Ficamos, cinza e pó, os ossos, sós. Que de nossa aflição…
