Oscar Wilde – Da vaidade

“Por que você chora?”, perguntaram as Oreiades.

“Choro por Narciso”.

“Ah, não nos espanta que você chore por Narciso”, continuaram elas. “Afinal de contas, todas nós sempre corremos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza”.

“Mas Narciso era belo?”, quis saber o lago.

“Quem melhor do que você poderia saber?”, responderam, surpresas, as Oreiades.

“Afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias”.

O lago ficou algum tempo quieto. Por fim, disse:

“Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que era belo. Choro por ele porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens, eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza refletida”.

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