Tag: Tempus Fugit
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdices tua solidão, dedicando-a a uma absurda busca do nada, nem persigas a ti próprio obsessivamente por escuras galerias. Assustado pela luz dos preceitos. Sai no sol a pino e olha para as coisas difíceis. Considera que o jogo desmedido das palavras não te servirá de nada se não te apoiares naquilo…
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto, vês um avião que está decolando. Vai-se perdendo o sinal. Sem nenhuma piedade pelo que foste, pois a piedade é demasiado efêmera e não há tempo para construir nada sobre ela, convences-te de que vives, embora sem esperanças, uma época que é a mais feliz de tua vida. Há…
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Stein Mehren – A Pedra

Eu acumulei tanto tempo em cada grama de matéria, diz a pedra que milhões de anos são um mero piscar de olhos em mim Eu conheço a dor do mundo continua a pedra. O peso que é necessário carregar. Peso que é o sofrimento do mundo em espaços banhados de luz Se ficares totalmente calado…
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Andreia C. Faria – Descarnação

Até aos trinta anos tens a cara que Deus te deu. Depois tens a cara que mereces. É uma promessa de ironia, uma sentença sem recurso. É-te assim dito: estás entregue ao labor íntimo do que comes, ao número de horas que dormes, àquilo que fazes e sobretudo àquilo em que pensas. Deus (perdoa-lhe a…
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Nelson Santander – Mudança Singular
Resolvi mudar o blog. De hoje em diante, além de umas perfumarias que fiz na página, o blog passará a se chamar “singularidade”. Por quê? Primeiro, porque o nome anterior era muito feio. A ideia de criar um blog para divulgar poemas (principalmente), textos, vídeos, traduções e outras coisas de que gosto, veio meio de…
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Joan Margarit – Não jogues fora as cartas de amor

Elas não te abandonarão. O tempo passará, apagar-se-á o desejo — esta flecha da sombra — e os rostos sensuais, belos e inteligentes, ocultar-se-ão em ti, no fundo de um espelho. Passarão os anos. Cansar-te-ão os livros. Decairás ainda mais e perderás até mesmo a poesia. O ruído da cidade nas vidraças acabará por ser…
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Antonia Pozzi – Novembro

E depois – quando eu partir restará alguma coisa de mim no meu mundo – restará um fino rasto de silêncio no meio das vozes – um ténue sopro de branco no coração do azul – E numa noite de Novembro uma menina frágil à esquina de uma rua venderá braçadas de crisântemos e lá…
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Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Então o medo era isto? Não os assustadores fantasmas do pensamento e da consciência. Não os longos corredores de hospitais com lâmpadas fluorescentes dia e noite. Nem sequer o tremor de irrealidade que permanece na alma se te recordas. O medo, aparentemente, é calmo: Chega quando fechas a janela e compreendes que tudo quanto vês…

