Tag: Morte
-
Nelson Ascher – Saudade

Posto que nem é de bom-tom falar sobre a tristeza insossa cujo vaivém, quando se apossa de mim, me embala como o som sem fim das ondas do Leblon, dispondo-me a curtir a fossa a sós, pus na vitrola a bossa nova de João, Vinícius, Tom, menos pra ouvir o que ela tem, porque talvez…
-
Joseph Stroud – Tributo a Rolf Jacobsen

A jaqueta amarela fica batendo contra a vidraça tentando sair. Desde o começo era apenas uma questão de abrir a janela, encontrar as palavras, e você por aí – em um outro, maior mundo. Para os mortos, o paraíso é a calçada na qual você caminha olhando as janelas, cantarolando, parando para um café. Trad.:…
-
Sophia de Mello Breyner Andresen – Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomar Em que eu tantas vezes passei, Haverá longos poentes sobre o mar, Outros amarão as coisas que eu amei. Será…
-
Adelaide Ivánova – os anos noventa

você não estava lá nas coisas mais decisivas da minha vida mas é assim mesmo: historiadores e arqueólogos nunca estiveram presentes pra testemunhar os levantes coletivos isso fazem os jornalistas e os videntes você era apenas um menino quando kurt cobain morreu nem poderia ainda saber o dano que causaria sua existência de crisálida taurino…
-
Ian Hamilton – Fantasmas

O caixão lustroso e suntuosamente adornadoDesliza como um novo navio para as profundezas em chamas.Na terra firme,A congregação se ajoelha em murmúrios. Do meu banco no cantoTenho uma visão livre e desimpedidade sua partida.Se você estivesse deitada de ladoTalvez pudesse captar seu olhar insuspeito. No pátio, ao anoitecer,Os tributos florais. Eu poderia jurarTer visto vocêAspirando…
-
Heinrich Heine – Chegou a morte

Chegou a morte – agora vou Dizer o que o orgulho não Me permitiu: meu coração Tão só por ti pulsou, pulsou. Já estou fechado no ataúde, Descem-me à cova. A calmaria Me abraça enfim, mas tu, Maria, Por mim irás, muito amiúde, Chorar, e pra quê, afinal? Consola-te, este é o destino Humano: o…
-
Joseph Stroud – Lázaro em Varanasi

De uma pira no flamejante ghat,um cadáver se ergue lentamente entre as chamas.Como se lembrasse de algo importante.Como se quisesse olhar ao redor uma última vez.Como se finalmente tivesse algo a dizer.Como se houvesse uma saída para isso. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a…
-
Ferreira Gullar – Verão

Este fevereiro azul como a chama da paixão nascido com a morte certa com prevista duração deflagra suas manhãs sobre as montanhas e o mar com o desatino de tudo que está para se acabar. A carne de fevereiro tem o sabor suicida de coisa que está vivendo vivendo mas já perdida. Mas como tudo…
-
Idea Vilariño – Não mais

Não mais será não mais não viveremos juntos não criarei teu filho não coserei tua roupa não te terei à noite não te beijarei ao partir nunca saberás quem fui por que outros me amaram. Não chegarei a saber por que nem porque nunca nem se era verdadeiro o que disseste que era nem quem…
-
Adelaide Ivánova – o elefante

quando johanna morreu tinha um ano e oito meses foi encontrada na piscina apertava um elefante na mão que sua mãe até hoje aperta muito embora o alzheimer lhe impeça de lembrar por que ela a mãe pulou na piscina ao ver johanna à deriva no ventinho do norte da renânia boiando na piscina que…