Tag: Morte
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A. M. Pires Cabral — Confesso que voei

1 Mas, se nestas seis décadas e meia eu fui capaz de algum voo — concedo: semelhante ao das galinhas, isto é, rudimentar, desgracioso, com muitíssimo dispêndio de energia para pouca ascensão, breve e apenas em desespero de causa; em todo o caso uma forma de voo pelo qual me sustentei no ar em horas…
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Margaret Atwood – O momento

O momento em que, depois de muitos anosde trabalho árduo e uma longa jornada,você está de pé no centro de seu quarto,casa, meio acre, milha quadrada, ilha, país,sabendo enfim como chegou ali,e diz: isto é meu, é o mesmo momento em que as árvores soltam seus braços macios de ao redor de você,as aves retomam…
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Joan Margarit – De repente está claro

De repente está claro. O amor é a vitória que irá me destruir. Como me gangrena o coração a solidão, como me destroça nas janelas do crepúsculo a hiena desolada e exangue. Na era rubra só o amor nos livra da gélida gruta do tempo. Conheci a glória de estar desesperado e a miséria do…
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Vasco Miranda – de “Invenção da Manhã”

20 Olha Jorge quando vier a morte E virá cedo “Não deixes fechar-me os olhos” Eflorescências salitrosas me rebentarão das órbitas Para queimar as mãos que fechar-mos queiram – Não pode a luz negar-se a quem bêbado dela Inventou em cada dia uma madrugada E eis tudo quanto deixo a quem me herde Não Jorge…
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José Agostinho Baptista – É a prata da minha amada

“É a prata da minha amada”, um poema de José Agostinho Baptista que encena uma despedida crepuscular onde amor e morte se entrelaçam num silêncio maior que o mar.
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Jack Kerouac – Richmond Hill Tree Poem

Amontoadas, amarelas folhas de novembro De uma distinta árvore nua e envergonhadamente castrada fazem um minúsculo e manso PLICK ao se roçar umas nas outras preparando-se para morrer – Quando vejo uma folha cair Eu sempre digo adeus. Richmond Hill Tree Poem A cluster of yellow November leaves in an otherwise bare and sheepish castrated…
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Amalia Bautista – S.O.S.

Protege-me do medo e das sombrasdefende-me de todas as tristezas,exila de minha vida o desconsolo,se puderes, com teu amor, se nãocom o fim do mundo ou com a minha morte. Trad.: Nelson Santander S.O.S Protégeme del miedo y de las sombras,defiéndeme de todas las tristezas,destierra de mi vida el desconsuelo.si puedes, con tu amor, y…
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Eugénia de Vasconcellos – Lembra

Digo-te isto para que saibas quem és, às vezes, esquecemos, confundimos, desconseguimos e ao fim, desacreditamos, colam-se-nos os fantasmas dos vivos e as memórias dos mortos e da voz faz-se um fio à míngua de palavras – e onde a palavra não chega, o pensamento não cria o ato e morre-se, morre-se, morre-se um dia…
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Tarso de Melo – Hoje

Amanhã vai chover mais forte, todos nós já sabemos. E é estranha a calma dos rios Os guarda-chuvas seguem fechados, os meteorologistas fingem não ter nada com isso, o barro não demonstra qualquer apreensão, o vento lambe as roupas secas no varal, nenhuma janela ainda se fechou. A água vai vir, forte, como sempre, engolindo…
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Joseph Stroud – Perdido

O cervo se distancia de mim e continua sem pressaao longo da colina sem sequer olhar para trás,para onde estou, e de onde começo a cruzarum campo de neve dentro do meu corpo e me percoenquanto uma cinza branca cai do céu encobrindo meus rastrose não há como encontrar o caminho de volta. Trad.: Nelson…