Tag: Morte
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Eugénio de Andrade – Ao fim da tarde

Ninguém esperava ver o mar naquele dia mas era o mar que estava ali, à porta naqueles olhos.
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Joan Margarit – Monumentos

O vazio que sentes, cada vez com mais força,é o dos traidores.Também os monumentos, por dentro, são vazios,com as entranhas cheias de ferrugem e de morte:escuros e corroídos pela história,é tão sinistro seu interiorcomo arrogante o gesto que no ardesenha a personagem.À medida que os amigos nos traem– e a morte é também uma traição…
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A. M. Pires Cabral – Não me mostres nenhum norte

Não me mostres nenhum norte nem estradas para lá: são tudo embustes. Mostra-me antes pedras, folhas mortas de Outono atapetando o chão das matas, voos de libelinha rasando o sol poente, cândidas risadas infantis. Quero eu dizer: mostra-me coisas daquelas que se corrompem sem pressa.
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Manuel de Freitas – Nada de nada

para o José Carlos Soares Um dia, logo de manhã, entraremos num cemitério e perguntarás a Antonia Pozzi se estar morto é mais ou menos triste do que estes dias arduamente sepultados. Receando que saibas a resposta, beberei com Lowry a primeira ou a última tequila, na certeza de que ambos os adjetivos estarão certos…
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Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

o António Ramos Rosa estava deitado na cama contra a parede e deu meia volta sobre si mesmo e ficou de cara voltada contra a parede e fechou os olhos e fechou a boca e ficou todo fechado e então morreu todo fundo e completo de uma só vez e apenas ele no tempo e…
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Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

em boa verdade houve tempo em que tive uma ou duas artes poéticas, agora não tenho nada: sento-me, abro um caderno, pego numa esferográfica e traço meia dúzia de linhas: as vezes apenas duas ou três linhas; outras, vinte ou trinta: houve momentos em que fui apanhado neste jogo e cheguei a encher umas quantas…
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Philip Roth – Patrimônio (excerto 2)

Ele morreu três semanas depois. Durante uma provação de doze horas, que começou pouco antes da meia-noite de 24 doutubro de 1989 e terminou logo após o meio-dia, ele lutou por cada sorvo de ar com uma erupção impressionante, uma derradeira exibição da tenacidade férrea que havia demonstrado ao longo da vida. Algo digno de…
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Fernando Assis Pacheco – R., 1992

Quando os anos passarem sobre esse teu desgosto vais ver que te curaste não de vez mas um pouco pois o que a gente busca nas dobras do amor é a cura para a morte que não tem consolo e por falar em f’ridas até as que mais doem acabam por fechar só ela vence…
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Philip Roth – Patrimônio (excerto)

“Quando se visita uma sepultura, todo mundo tem pensamentos mais ou menos iguais, que, abstraída a questão da eloquência, não diferem muito daqueles que Hamlet expressou ao contemplar o crânio de Yorick. Há muito pouco para se pensar ou dizer que não seja uma variante de “Ele me carregou nos ombros mil vezes”. Num cemitério,…
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William Butler Yeats – Um aviador irlandês prevê a morte

Encontrarei meu fim no meio das nuvens de algum céu sobejo; os que combato, eu não odeio, também não amo os que protejo; Kiltartan Cross é meu país, seus pobres são a minha gente, nada a fará mais infeliz do que já era, ou mais contente. Não é por lei ou por dever, turba ou…