Tag: Morte
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Nuno Júdice – É isto o amor

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da minha noite. É verdade que te podia dizer: “Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me a sermos dois; e a…
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Luís García Montero – Resumo dos fatos

Falei com a morte por telefonee recebi e-mails de amor que foram apagadossem deixar uma única lágrima em papel amarelo.Ninguém esqueça os tempos, mas ninguém se engane:no final, apenas o amor e a morte importam. Trad.: Nelson Santander Resumen de los hechos He hablado con la muerte por teléfonoy he recibido e-mails de amor que…
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Fernando Assis Pacheco – Respiração Assistida

Eu vi a morte de noite – névoa branca – entre os frascos do soro rondar a minha cama era um trasgo e como tal metera-se pelas frinchas; noutra versão coando-se através dos nós da madeira ou noutra ainda imitando à perfeição o gorgolejar da água nos ralos: eu tremia covardemente enquanto ela raspava a…
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Raymond Carver – Esta manhã

Esta manhã foi especial. Um pouco de neve cobria o chão. O sol flutuava num claro céu azul. O mar estava azul, e verde-azulado, até onde o olho podia enxergar. Calmo. Quase sem ondas. Eu me vesti e saí para caminhar – decidido a não voltar até receber o que a Natureza tivesse a oferecer.…
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Rui Caeiro – Sabem que mais?

Sou um homem dado ao álcool e a eternas dúvidas e que na rua ou lá onde seja a todo o momento pode tropeçar ou morrer: voar é que é muito mais improvável Sou um homem de áridas certezas e uma esperança a essa arrasto-a pela mão pelos cabelos pelas orelhas paro escuto e olho…
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Ramón de Garciasol – Ávila do Silêncio

Silêncio: cala-me até as raízes, lava minha carne, meu suor de morte, a caspa cotidiana. Quero ver-te, Senhor, em paz, pelo que me dizes sem esta feroz contenda confusa, extinta a chama, pedra pura de eternidade sem fim, viva verdura sem o sal da dor e das cinzas. Silêncio: chove mais. A terra dura está…
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Ian Hamilton – Legado

Estamos no inverno agora e estou aquecido, Acamado, feliz por ter sobrevivido. Minha mobília Me cerca. Eu posso alcançar meus livros. E você, noite após noite, Até “o fim” Ficará comigo. Entre nós Há lenitivos, esta dor E estes poemas inacabados eu lego a você. Muitas vezes deve ser assim. Escurecemos suavemente enquanto você conta…
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Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]
![Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/01/tumblr_inline_phmpjoek1n1ufxp92_1280.jpg)
Declaro que morreu e que seu túmuloestá dentro de mim; sou seu sudário.A ninguém se enterrou porque seu trânsitono tempo foi de loucas esperanças. Circundam o contorno desta cova– quente é a vinha que escala as paredes –os pâmpanos mais tenros e suculentosque arrancam do silêncio seu tumulto. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma…

