Tag: Memento Mori
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Juan Vicente Piqueras – Ristorante dal 1882–

Ristorante dal 1882–leio no cardápio e me ponho a pensarque numa noite, há mais de um século,numa noite igual a esta,houve um grupo de amigos que aqui jantou,como nós fazemos agora,e riram, conversaram, passaram o sal,mais ou menos felizes, fugazes, encantadosde estarem juntos rindocomo nós fazemos agora,e que nenhum deles vive maise agora somos nós,os…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – S.T.T.R. Sit Tibi Terra Levis

Hoje lembro os mortos da minha casaOctavio Paz De todos os nossos mortos, jamais esqueceremoso primeiro. O meu habita a raiz do outono,sob os álamos. Sua memóriame oferece uma murta enquanto se inclinacom os braços abertos de outros dias. Lembrode sua estatura nas sombras, prestes a afastar-sedo espelho, seu rosto velado, o ornamentodas obstinadas lições…
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Hugo Mujica – Há escassos dias

Há escassos dias morreu meu pai,há muito tempo atrás. Caiu suavemente,como as pálpebras ao chegara noite, ou uma folhaque o vento não arranca, embala. Hoje não é como outras chuvas,hoje chove pela primeira vezsobre o mármore de sua lápide. Sob cada chuvapoderia ser eu quem jaz, agora eu sei,agora que morri em outro. Trad.: Nelson…
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Rodrigo da Silva – Chegará um dia em que o seu coração parará de bater

Chegará um dia em que o seu coração parará de bater. A sua pupila dilatará. A sua pele ficará pálida e a sua temperatura corporal esfriará. Você ficará inteiramente esquálido; e então roxo. O seu sangue se tornará mais ácido com o acúmulo de dióxido de carbono. E as suas células começarão a se dividir,…
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Rui Caeiro – Espero um dia

Espero um dia ter de esperar-te, com a ansiedade dos que perderam tudo ou quase, menos talvez a memória E espero humildemente vir a merece-te, cometer um ato heroico e merecer-te, ser outra e a mesma pessoa – e merecer-te Espero estar bem triste para quando enfim chegares poder dar-te o mais autêntico: a memória,…
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Antonia Pozzi – Morte de uma estação

Choveu toda a noite sobre as memórias do verão. Ao anoitecer saímos no meio de um ribombar lúgubre de pedras e, parados na margem, levantamos as lanternas para explorar o perigo das pontes. Ao amanhecer vimos as pálidas andorinhas ensopadas e pousadas sobre os fios à espreita de indícios secretos de partida – e refletiam-nas…
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Rebecca Elson – Antídotos para o medo da morte

Às vezes, como antídotoPara o medo da morte,Eu como as estrelas. Nessas noites, deitada de costas,Eu as sorvo da escuridão que as apagaAté estarem todas, todas dentro de mim,Ardentes e pungentes. Às vezes, em vez disso, eu me misturoA um universo ainda jovem,Ainda quente como o sangue: Sem espaço exterior, apenas espaço,A luz de todas…
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Louise Glück – Fim de inverno

Sobre o mundo ainda, um pássaro cantadespertando solitário entre ramos escuros. Vocês desejaram nascer; eu permiti que nascessem.Quando minha dor alguma vezinterferiu em seu prazer? Mergulhandona escuridão e na luz ao mesmo tempo,sedentos por sensações como se fossem algo novo, querendose expressar com todo brilho, toda vivacidade nunca imaginandoque isso lhes custaria algo,nunca concebendo o…
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Louise Glück – Manhã clara

Eu já os observei por tempo suficiente,posso me dirigir a vocês do jeito que eu quiser — Tenho me submetido às suas preferências, observando pacientementeas coisa que vocês amam, comunicando-me apenas através de veículos, emdetalhes da terra, como preferem, gavinhasde clematis azul, luz de fim de tarde —vocês jamais aceitariam uma voz como a minha,…
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Louise Glück – Trillium*

Quando acordei, estava em uma floresta. A escuridãoparecia natural, o céu entre os pinheirosrepleto de muitas luzes. Eu não sabia nada; eu não podia fazer nada além de olhar.E enquanto observava, todas as luzes do céuse apagaram para formar uma única coisa, um fogoardendo por entre os frescos abetos.Então, não era mais possível olharpara o…