Tag: Carpe Diem
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Armando Freitas Filho de “Rol”

150 Ontem, foi-se. Amanhã, não há. Ar, somente, o de hoje no presente, desse dia que projeta na respiração sua plataforma insubstituível: peça única com sua aura esplêndida longe de qualquer linha de montagem frágil a qualquer hora, em aberto. No levante, no meio, no fim do seu alento, não em si, mas em mim…
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Rui Costa – Breve
Esta manhã comecei a esquecer-me de ti. Acordei mais cedo que nos outros dias e com o mesmo sono. A tua boca dizia-me “bom dia” mas não: não o teu corpo todo como nos outros dias. As sombras por aqui são lentas e hoje não comprei o jornal: o mundo que se ocupe da sua…
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Miguel Martins – Fine

Os sentimentos são paisagens áridas, imprecisas, tremeluzentes, desconfortáveis. Dito isto, poderia fechar a porta, correr as grades, trancar o cadeado, dar a loja por encerrada, sem previsões de reabertura. Fechados lá dentro, os sentimentos, bem, seria como se não existissem. Talvez morressem, se desidratassem, se pulverizassem, talvez deles restasse apenas uma mancha de gordura no…
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Paulo Henriques Britto – “Da metafísica”

Ser parte de alguém ou algo tão grande que não se entenda: toda crença, ao fim e ao cabo, se resume a essa lenda – o mais rematado dislate, coisa jamais entendida, que eleva ao sumo quilate o caco mais reles de vida.
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Joan Margarit – A Espera

Tantas coisas estão sentindo tua falta. Assim preenchem-se os dias, instantes feitos de esperar por tuas mãos, de sentir falta de tuas pequenas mãos, que pegaram nas minhas tantas vezes. Temos de nos acostumar com tua ausência. Um verão já passou sem teus olhos e o mar também haverá de acostumar-se. Tua rua, ainda por…
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Platão – da “Antologia Grega”

Eu, Lais, que escarneci dos gregos e enxame de amantes retive à porta, ofereço a Afrodite o meu espelho. Não olharei para esta cara e não consigo ver a anterior. Versão: José Alberto Oliveira
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Joan Margarit – A moça do semáforo

Tens a mesma idade que eu tinha quando comecei a sonhar em encontrar-te. Então ignorava, assim como tu o ignoras, que o amor se transforma na arma carregada de solidão e de melancolia que agora está apontada para ti nos meus olhos. Tu és a moça que busquei durante tanto tempo quando ainda não existias.…
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Pierre de Ronsard – Quando fores bem velha…

Quando fores bem velha, à noite junto à vela, Sentada ao pé do fogo, enovelando e fiando, Dirás, cantando os versos meus e te enlevando: “Ronsard me celebrava ao tempo em que era bela”. Então nem haverá, ouvindo o recital, Serva, ao fim do trabalho e semi-sonolenta, Que, com som do meu nome, não desperte…
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Joan Margarit – Era Rubra

A Àlex Susanna Tanto tempo demoraste a aprender que estás atrasado para o grande amor: que nunca viveste uma era de ouro. As rosas de Ronsard jamais serão perfume em teu olhar, nenhum outono haverá de desfolhar morosas pétalas nos braços de ninguém. Com negligência tapas os espelhos como era costume em casas onde havia…
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Maria do Rosário Pedreira – O Último Abraço

Este foi o nosso último abraço. E quando, daqui a nada, deixares o chão desta casa encostarei amorosamente os lábios ao teu copo para sentir o sabor desse beijo que hoje não daremos. E então, sim, poderei também eu partir, sabendo que, afinal, o que tive da vida foi mais, muito mais, do que mereci.