Tag: Amor
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May Swenson – Indagações

Corpo minha casameu cavalo meu cão de caçao que fareiquando você tombar? Onde vou dormirComo vou cavalgarO que vou caçar Onde posso irsem minha montariarápida e impaciente?Como sabereise na mata à frentehá perigo ou tesouroquando Corpo meu bomcão vivaz estiver morto Como serájazer no céusem teto ou portae vento por visão Com nuvem como camisolacomo…
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Mary Oliver – Gansos selvagens

Você não precisa ser bom.Você não precisa atravessar o deserto de joelhos,por cem milhas, em penitência.Você só precisa deixar o suave animal do seu corpoamar o que ele ama.Fale-me sobre o desespero, o seu, e eu lhe direi o meu.Enquanto isso, o mundo continua.Enquanto isso, o sol e os translúcidos seixos da chuvamovem-se por entre…
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Camille Dungy – Para entrar em nossa própria casa vazia

Ela estava com sete anos quando paramosde usar chaves. Menos uma coisa para se perder.Agora nós usamos uma senha —simples, mas espero que não tão simples queum estranho possa adivinhar. É aqui queeu deveria parar. Eles se veriam obrigadosa ficar irritados — meus amados.Estou revelando todos os nossos segredosnovamente. Esta vulnerabilidadeé a raiz de muita…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ishmar

para Martha Iga A maneira de pentear-te nua diante do espelho úmido do banheiro, de prender na palma teus cabelos para fazer correr a água e de agachar-te no meio de palavras que não entendo; o ato de secar tua pele, a forma de sentir com os dedos uma ruga que ontem não estava, ou…
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Lawrence Ferlinghetti – Allen Ginsberg morrendo

Allen Ginsberg está morrendoEstá em todos os jornaisEstá no noticiário noturnoUm grande poeta está morrendoMas sua voznão vai morrerSua voz está na terraNo Baixo Manhattanna sua camaele está morrendoNão há nadaa fazer sobre issoEle está morrendo a morte que todos enfrentamEle está morrendo a morte do poetaEle tem um telefone em sua mãoe liga para…
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Billy Collins – Esquecimento

O nome do autor é o primeiro a desaparecerseguido obedientemente pelo título, a trama,a conclusão comovente, o romance inteiroque subitamente se torna algo que você nunca leu,nunca sequer ouviu falar, como se, uma a uma, as memórias que você costumava abrigardecidissem se aposentar no hemisfério sul do cérebro,em uma pequena aldeia de pescadores onde não…
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Bertrand Russell – de “No que acredito”

“Acredito que ao morrer apodrecerei e nada do meu eu sobreviverá. Não sou jovem e amo a vida. Mas desdenho tremer de terror à ideia do aniquilamento. A felicidade não se torna menos verdadeira por ter que chegar ao fim, e o pensamento e o amor não perdem o seu valor por não durarem para…
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Carlos Drummond de Andrade – A bruxa

Nesta cidade do Rio,de dois milhões de habitantes,estou sozinho no quarto,estou sozinho na América. Estarei mesmo sozinho?Ainda há pouco um ruídoanunciou vida ao meu lado.Certo não é vida humana,mas é vida. E sinto a bruxapresa na zona de luz. De dois milhões de habitantes!E nem precisava tanto…Precisava de um amigo,desses calados, distantes,que leem verso de…
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Roberto Juarroz – Assim como não podemos

Assim como não podemossustentar por muito tempo um olhar,tampouco podemos sustentar por muito tempo a alegria,a espiral do amor,o gratuidade do pensamento,a terra em suspensão no cântico. Não podemos sequer sustentar por muito tempoas proporções do silêncioquando algo o visita.E menos aindaquando nada o visita. O homem não pode sustentar por muito tempo o homem,nem…
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Juan Vicente Piqueras – Papoulas

No antigo campo de batalha onde morreram milhares de meninos cresce novamente o trigo, salpicado aqui e ali de ardentes papoulas. E dois amantes, que terão mais ou menos a idade dos soldados que aqui então morreram, hoje fazem amor no semeado. Deitam o trigo. Calcam as papoulas. Trad.: Nelson Santander Amapolas Sobre el antiguo…