Tag: Amor
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Robert Hayden – Aqueles domingos de inverno

Também aos domingosmeu pai se levantava cedoe se vestia no frio azul escuro,depois, com as mãos rachadas doloridasdo trabalho ao relento durante a semana, fazia o fogo abafado arder. Nunca ninguém lhe agradeceu. Eu acordava e ouvia ofrio se estilhaçando, se partindo.Quando a casa já estava aquecida, ele me chamava,e lentamente eu me levantava e…
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Rubén Darío – Quando vieres a amar

“Quando vieres a amar”, um poema de Rubén Darío que apresenta o amor como experiência paradoxal de luz e sombra, felicidade e dor, afirmando sua natureza inevitável e a impossibilidade de viver plenamente sem ele.
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Lope de Vega – Desmaiar, ousar, ficar furioso

Desmaiar, ousar, ficar furioso,áspero, terno, generoso, esquivo,entretido, mortal, defunto, vivo,leal, falso, covarde e corajoso; não achar, para além, paz e repouso,mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,irritado, valente, fugitivo,satisfeito, ofendido, receoso; furtar o rosto ao claro desengano,sorver veneno por licor suave,esquecer o proveito, amar o dano; crer que um céu em um inferno cabe,dar a vida e…
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Ernesto Pérez Vallejo – A garota de preto

Hoje eu podia ter-me apaixonado por ti, apesar de tuas botas sem salto, podia até ter-te beijado assim, com o mar ao fundo, os beijos aos domingos têm um sabor distinto, mais intenso. Podia ter-te levado pelas mãos até a praia e ter-te despido docemente enquanto me ajoelhava na terra e perfumava o meu nariz.…
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Geruza Zelnys – descomedimentos

que venha abaixo tudo que venha abaixo o que é tempestade e destruição que não sobre embarcação e vela que os raios queimem plantações e trovões arrebentem toda a terra e teu corpo se deite sobre o meu e tua boca mate toda fome minha e que versos & palavras do amor sejam ditos bem…
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Louise Glück – Amor ao luar

Às vezes, um homem ou uma mulher impõe seu desesperoa outra pessoa, o que é chamado deabrir o coração, ou alternativamente, desnudar a alma —o que significa que, neste momento, eles adquiriram almas —lá fora, em uma noite de verão, um mundo inteiroderramado sobre a lua: grupos de formas prateadasque podem ser edifícios ou árvores,…
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Louise Glück – Flores-de-neve

Você sabe o que eu era, como eu vivia? Você sabeo que é o desespero; entãoo inverno deve ter significado para você. Eu não esperava sobreviver,a terra me sufocando. Não esperavadespertar outra vez, sentirna terra úmida meu corpocapaz de responder outra vez, lembrandoapós tanto tempo como me abrir outra vezna luz friado início da primavera…
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Joan Margarit – Água-forte

O granizo metralha as vidraças,as rajadas arrasam as calçadas.E tu e eu aqui, onde o mau temporesume os obstáculos que às vezesnos levam à beira do abismo.Olhos brilhantes de desacertos,mãos queimadas por se salvarem agarradasaos gelados corrimãos do inferno.Que o acaso continue disparandosem razão, como sempre, nas vidraças.Além do amor – desse nosso amor –nada…
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Tarso de Melo – Raiz e minério

ainda é possível ouvir (mais fundo, mais fundo,você encontra) o som da lama se arrastando por baixodas portas e aos pés do sofá (o que há é o homem,esse bicho) nos vãos da estante e no meio dos livrosnas gavetas da geladeira (que invade a terra procurandooutro homem) na altura do peito e entre os…
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Manuel Vilas – Delia’s Gone

“Delia’s Gone”, um poema de Manuel Vilas que aborda de forma provocativa e irônica a relação entre amor, abandono e suicídio, evocando figuras como Ian Curtis, Mariano José de Larra e Sylvia Plath para refletir sobre a idealização trágica da morte por amor e o vazio deixado pela perda.