Tag: Amor
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Joan Margarit – Anos Sessenta

Lento, muito mais lento, tempo meu: falemos sobre o amor mesmo que as rosas tenham que acabar sempre na lixeira. Deslumbrou-nos um futuro. Que futuro? Sem esperança alguma, críamos em algo, ou, porque era difícil a fé em algo, nunca perdemos a esperança. Restam as bandeiras vermelhas de perigo defronte ao mar bravio. Lembro-me de…
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Antonio Colinas – Envio

Lembras-te ainda do débil cantodo rouxinol perdido na ramagem?Viste farfalhar comigo naquela noitea copa do cipreste. Desfez-seo céu em fios de luar sobre teu rosto.Mas depois do pássaro e da luaapagaram-se os astros. Vi passarnão sei que brisa estranha pelo teu corpo.Lembras-te das nossas mãos na água?Lembras-te do silêncio sobre o campoe, como um deus exangue, do…
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Joan Margarit – Alguém

Tinha que salvar-me com seus olhos azuis cravados ainda em uma lembrança da adolescência, a estranha fase de precipitar-se, sem queixa nenhuma, ao fundo do abismo. Do bonde, a fugaz imagem de uma garota em uma varanda, e o número de um telefone anotado como uma cicatriz na memória. Nunca estive a seu lado, inventava…
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Ruy Belo – Uma vez que já tudo se perdeu

Que o medo não te tolha a tua mão Nenhuma ocasião vale o temor Ergue a cabeça dignamente irmão falo-te em nome seja de quem for No princípio de tudo o coração como o fogo alastrava em redor Uma nuvem qualquer toldou então céus de canção promessa e amor Mas tudo é apenas o que…
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A. M. Pires Cabral — Confesso que voei

1 Mas, se nestas seis décadas e meia eu fui capaz de algum voo — concedo: semelhante ao das galinhas, isto é, rudimentar, desgracioso, com muitíssimo dispêndio de energia para pouca ascensão, breve e apenas em desespero de causa; em todo o caso uma forma de voo pelo qual me sustentei no ar em horas…
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Eugénio de Andrade – Canção Breve

Tudo me prende à terra onde me dei: o rio subitamente adolescente, a luz tropeçando nas esquinas, as areias onde ardi impaciente. Tudo me prende do mesmo triste amor que há em saber que a vida pouco dura, e nela ponho a esperança ou o calor de uns dedos com restos de ternura. Dizem que…
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Joan Margarit – De repente está claro

De repente está claro. O amor é a vitória que irá me destruir. Como me gangrena o coração a solidão, como me destroça nas janelas do crepúsculo a hiena desolada e exangue. Na era rubra só o amor nos livra da gélida gruta do tempo. Conheci a glória de estar desesperado e a miséria do…
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Manuel António Pina – As escadas

Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas em direção à tua escuridão, deixando-me, ou a alguma coisa menos tangível, no seu lugar. Também elas envelheceram, as escadas, também, como eu, desabitadas. Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus, e, à nossa volta, os nossos corpos desvanecem-se como terras estrangeiras.
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José Agostinho Baptista – É a prata da minha amada

“É a prata da minha amada”, um poema de José Agostinho Baptista que encena uma despedida crepuscular onde amor e morte se entrelaçam num silêncio maior que o mar.
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Jules Laforgue – Penúltima palavra

O Espaço? – A vida Ida Sem traço. O amor? – Seu preço: Desprezo E dor. O sonho? – Infindo, É lindo (Suponho). Que vou Fazer Do ser Que sou? Isto, Aquilo, Aqui, Ali. Trad.: Augusto de Campos Avant-dernier mot L’Espace? – Mon Coeur Y meurt Sans traces… La Femme? – J’en sors, La…