Categoria: Poesia em Língua Inglesa
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William Butler Yeats – A torre

1 O que farei com esta absurdidade, Esta caricatura, coração? Decrepitude atada à minha idade Como à cauda de um cão? Jamais terei sentido Tão grande, tão apaixonada, tão incrível A fantasia, nem houve olho e ouvido Que mais quisessem o impossível – Não, nem quando menino, com inseto e anzol, Ou mais humilde verme,…
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Joan Margarit – Despedidas

Ela o acompanhava até o primeiro trem que partia às segundas antes do amanhecer, e naquele bar costumavam despedir-se, o mais próximo da Estación de Francia. Evoco os invernos detidos atrás das vidraças da infância. E talvez esta seja sua mesa, onde agora lembro-me de que, naquela mesma hora, eu estava na penumbra do meu…
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Laurie Lee – A sombra abandonada

Percorrendo a sombra abandonadadas habitações da minha infância,meus ouvidos relembram o badalar,ouvindo suas vozes soterradas. Ouço o verão primordial,as margens da aurora iluminadas por aves,o pulsar de sangue da escrevedeira-amareladourando meus olhos de berço. Ouço a lua-de-estanho subire a moeda do crepúsculo cair,o rastejar da geada e o gemidodo degelo e o pio dos piscos…
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Charles Bukowski – Manual de Combate

Eles chamaram Celine de nazista eles chamaram Pound de fascista eles chamaram Hamsun de nazista eles puseram Dostoiévski diante de um esquadrão de fuzilamento e você sabe que eles atiraram em Lorca submeteram Hemingway a tratamento de choque e você sabe que ele se matou e eles levaram Villon para fora da cidade (Paris) e…
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Jane Hirshfield – Meu esqueleto

Meu esqueleto, que um dia doeu com o próprio crescimento, está agora, a cada ano imperceptivelmente menor, mais leve, absorvido por sua própria concentração. Quando eu dancei, você dançou. Quando você quebrou, eu. E assim foi, deitando, caminhando, subindo os fatigantes degraus. Seus maxilares. Meu pão. Algum dia você, o que resta de você, será…
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Louise Glück – Nostos

Havia uma macieira no quintal —isso deve ter sidohá quarenta anos — ao fundo,apenas prados. Manchasde crocus na relva úmidaEu estava àquela janela:fim de abril. Floresda primavera no quintal do vizinho.Quantas vezes, de fato, a árvorefloresceu no meu aniversário,no dia exato, não antes,não depois? Substituiçãodo cambiante,do que evolui.Substituição terrainexorável pela imagem. O quesei eu deste…
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Denise Levertov – Naquele dia

Do outro lado de um lago na Suíça, cinquenta anos atrás, a luz duelava com uma longa lança, esgrimindo com sabres de um lado para o outro entre picos nublados e colinas. Observávamos de um pequeno pavilhão, minha mãe e eu, fascinadas. E então, eis que um feixe, uma coluna, um corpo definido, não de…
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Richard Eberhart – A marmota

Em junho, entre os campos dourados,Avistei uma marmota morta.Morta jazia; meus sentidos estremeceram,E a mente disparou para além de nossa fragilidade nua.Ali, humilde, no vigoroso verão,Sua forma iniciou sua mudança sem sentido,E meus sentidos vacilarem, turvos,Ao ver dela a natureza feroz.Inspecionando de perto a força de suas larvasE o caldeirão fervilhante do seu ser,Meio com…
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Jane Hirshfield – Dentro desta árvore

Dentro desta árvore outra árvore habita o mesmo tronco; dentro desta pedra outra pedra descansa, com muitos tons de cinza iguais, com superfície e peso idênticos. E dentro do meu corpo, outro corpo, cuja história, à espera, canta; não há outro corpo, ela canta, não há outro mundo. Trad.: Nelson Santander Within this tree Within…
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Marie Howe – Meus amigos mortos

Comecei, quando estou cansada e não consigo me decidir por uma resposta a uma pergunta desconcertante, a pedir a opinião dos meus amigos mortose muitas vezes a resposta é imediata e clara. Devo aceitar o emprego? Mudar para a cidade? Devo tentar conceber um filhona minha meia-idade? Eles estão de pé, em uníssono, balançando a…