Categoria: Poesia em Língua Inglesa
-
Mary Oliver – Gansos selvagens

Você não precisa ser bom.Você não precisa atravessar o deserto de joelhos,por cem milhas, em penitência.Você só precisa deixar o suave animal do seu corpoamar o que ele ama.Fale-me sobre o desespero, o seu, e eu lhe direi o meu.Enquanto isso, o mundo continua.Enquanto isso, o sol e os translúcidos seixos da chuvamovem-se por entre…
-
Camille Dungy – Para entrar em nossa própria casa vazia

Ela estava com sete anos quando paramosde usar chaves. Menos uma coisa para se perder.Agora nós usamos uma senha —simples, mas espero que não tão simples queum estranho possa adivinhar. É aqui queeu deveria parar. Eles se veriam obrigadosa ficar irritados — meus amados.Estou revelando todos os nossos segredosnovamente. Esta vulnerabilidadeé a raiz de muita…
-
Sharon Olds – Uma semana depois

Uma semana depois, eu disse a um amigo: acho quenunca poderia escrever sobre isso.Talvez daqui a um ano eu consiga escrever alguma coisa.Há algo em mim que talvez algumdia possa ser escrito; por ora está dobrado, e redobrado,como um bilhete da escola. E em meu sonhoalguém jogava jacks, e no ar havia umjack arremessado, enorme,…
-
William Stafford – Uma cópia de arquivo

Deus tira seu retrato: não desvie o olhar –agora, neste quarto, seu rosto inclinadoexatamente como é, antes de você pensarou controla-lo. Vá em frente, deixe-se trair portodas as urgências secretas e ainda mantenhaaquele disfarce parcial que você chama de caráter. Mesmo o seu lábio, dizem, o modo como ele arqueiaou não, ou hesita, entregarávolumes de…
-
Dylan Thomas – Poema de outubro

Era o meu trigésimo ano rumo ao céu Quando chegou aos meus ouvidos, vindo do porto e do bosque ao lado, E da praia empoçada de mexilhões E sacralizada pelas garças O aceno da manhã Com as preces da água e o grito das gralhas e gaivotas E o chocar-se dos barcos contra o muro…
-
Lisel Mueller – Quando me perguntam

Quando me perguntamcomo comecei a escrever poemas,eu falo da indiferença da natureza. Foi logo depois que minha mãe morreu,um dia radiante de junhoem que tudo florescia. Sentei-me em um banco de pedra cinzaem um jardim carinhosamente cultivado,mas os lírios eram tão surdosquanto os bêbados adormecidose as rosas se curvavam para dentro.Nada estava de preto ou…
-
Lawrence Ferlinghetti – Allen Ginsberg morrendo

Allen Ginsberg está morrendoEstá em todos os jornaisEstá no noticiário noturnoUm grande poeta está morrendoMas sua voznão vai morrerSua voz está na terraNo Baixo Manhattanna sua camaele está morrendoNão há nadaa fazer sobre issoEle está morrendo a morte que todos enfrentamEle está morrendo a morte do poetaEle tem um telefone em sua mãoe liga para…
-
Billy Collins – Esquecimento

O nome do autor é o primeiro a desaparecerseguido obedientemente pelo título, a trama,a conclusão comovente, o romance inteiroque subitamente se torna algo que você nunca leu,nunca sequer ouviu falar, como se, uma a uma, as memórias que você costumava abrigardecidissem se aposentar no hemisfério sul do cérebro,em uma pequena aldeia de pescadores onde não…
-
Louise Glück – Under Taurus

Estávamos no píer, e você desejavaque eu visse as Plêiades. Eu podia vertudo, menos o que você desejava. Agora o seguirei. Não há uma única nuvem; as estrelasaparecem, até mesmo a irmã invisível. Mostre-me onde olhar,como se elas fossem ficar onde estão. Instrua-me na escuridão. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência.…
-
Dan Fante – [Agora que eu já escrevi]
![Dan Fante – [Agora que eu já escrevi]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2020/02/open_road_b6355_-_geograph.org_.uk_-_150433.jpg)
Agora que eu já escrevi dez anos de livros e peças e abandonei álcool e cigarros e a gloriosa pornografia suja e minhas roupas não fedem por passar a noite dormindo no velho Pontiac e meu cabelo está caindo e estou dez quilos mais gordo Aos meus cinquenta anos com ligações a retornar e responsabilidades…