Categoria: Poesia em Língua Inglesa
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Louise Glück – Viúvas

Minha mãe está jogando cartas com minha tia,Spite and Malice, o passatempo da família, o jogoque minha vó ensinou a todas as suas filhas. É o auge do verão: quente demais para sair.Hoje minha tia está em vantagem; ela está recebendo as cartas boas.Minha mãe está se arrastando, com dificuldade para se concentrar.Ela não consegue…
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Marissa Davis – Singularidade

Singularidade (depois de Marie Howe) no início sem verboiguana & mirramagma & mariposa-fantasma do recife& os cordyceps fazendo cócegas em seus nervos& cedro & arquipélago & anêmonapássaro dodo & cardeal esperando por seu salvermelho do oceano & óleo cru agora lama preta agora o mais naïve plâncton hesitantecada ovo agarrado à cópia maleávelde mim não-mulher…
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Marie Howe – Singularidade

Singularidade (depois de Stephen Hawking) Você às vezes não gostaria de acordar para a singularidadeque um dia fomos? tão compactos ninguémprecisava de cama, ou comida, ou dinheiro — ninguém se escondendo no banheiro da escolaou sozinho em casa abrindo a gavetaonde os comprimidos são guardados. Pois cada átomo que pertence a mimPertence a você. Lembra-se?…
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Louise Glück – Abundância

Um vento frio sopra nas noites de verão, agitando o trigo.O trigo se curva, as folhas dos pessegueirosfarfalham noite afora. No escuro, um menino cruza o campo:pela primeira vez, ele tocou uma garotae então volta para casa como um homem, com a fome de um homem. Lentamente, as frutas amadurecem —cestas e mais cestas delas…
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Edna St. Vincent Millay – Até tarde

Com a faca cega do Sono, se quiser,Corte cada dia pela metade, amado —Os anos que o Tempo tira do meu viver,Ele deduzirá daquele outro lado! Trad.: Nelson Santander Midnight Oil * Cut if you will, with Sleep’s dull knife,Each day to half its length, my friend,—The years that Time takes off my life,He’ll…
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Derek Mahon – Tudo vai ficar bem

Como eu não ficaria feliz em contemplaras nuvens que se dissipam além da janela do sótãoe a maré alta refletida no teto?Haverá mortes, haverá mortes,mas não há necessidade de falar sobre isso.Os poemas fluem espontaneamente da mãoe a fonte oculta é o coração vigilante.O sol se levanta, apesar de tudo,e as distantes cidades são belas…
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Linda Hogan – Cruzamentos

Há um lugar no centro da terraonde um oceano se dissolve dentro de outronum amor negro e sacro;É por isso que as baleias de um marconhecem as canções do outro,porque uma coisa se torna outrae a areia escorre pela ampulhetapara um outro tempo.Certa vez vi um feto de baleiaem um bloco de gelo brilhante.Não era…
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Mary Oliver – Nenhuma viagem

Eu acordo mais cedo, agora que os pássaros chegaram E cantam nas árvores inabaláveis. Em um catre junto a uma janela aberta Eu me estendo como campo consumido, enquanto desabrocha a primavera. Agora, de todos os viajantes de que me lembro, quem dentre eles Não embarcou com pesar em seus mapas? — Até parece que…
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Matthew Arnold – Praia de Dover

O mar esta noite descansa.A maré está cheia, a lua, maravilhosaSobre os estreitos; a luz na costa da FrançaCintila e se vai; as falésias da Inglaterra se elevam,Cintilantes e vastas, na baía sem agitação.Venha para a janela, doce é a noturna brisa!Apenas, da longa linha de aspersãoOnde o mar e a lua se encontram,Escute! ouça…
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Margaret Atwood – Muitíssimo

Muitíssimo É uma antiga palavra perdendo o brilho.Eu queria muitíssimo.Eu desejava muitíssimo.Eu o amava muitíssimo. Eu percorro cautelosamente a calçadapor causa dos meus joelhos feridos,com os quais eu me importo menosdo que você possa imaginarjá que há outras coisas, mais importantes –espere e verá – carregando um café pela metadeem um copo de papel com…