Louise Glück – Encruzilhada

Corpo meu, agora que não viajaremos juntos por muito mais tempo,
começo a sentir uma nova ternura por ti, muito crua e pouco familiar,
como a lembrança que tenho do amor quando eu era jovem —

amor que foi tantas vezes tolo em seus objetivos
mas nunca em suas escolhas, suas intensidades
Muito exigido com antecedência para muito que não podia ser prometido —

Minha alma tem sido tão temerosa, tão violenta;
perdoa sua brutalidade.
Como se fosse essa alma, minha mão se move cautelosamente sobre ti,

não querendo ofender
mas ansiosa, definitivamente, por alcançar expressão como substância:

não é da terra que sentirei falta,
é de ti que sentirei falta.

Trad.: Nelson Santander

Crossroads

My body, now that we will not be traveling together much longer
I begin to feel a new tenderness toward you, very raw and unfamiliar,
like what I remember of love when I was young —

love that was so often foolish in its objectives
but never in its choices, its intensities
Too much demanded in advance, too much that could not be promised —

My soul has been so fearful, so violent;
forgive its brutality.
As though it were that soul, my hand moves over you cautiously,

not wishing to give offense
but eager, finally, to achieve expression as substance:

it is not the earth I will miss,
it is you I will miss.

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