Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jaime Sabines – Te Amo às Dez da Manhã

Te amo às dez da manhã, e às onze, e ao meio-dia. Te amo com toda a minha alma e com todo o meu corpo, às vezes, em tardes chuvosas. Mas às duas da tarde, ou às três, quando eu me perco em pensar em nós dois, e tu pensas em comida ou nas tarefas…
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá uma porta. Já estás dentro, Mas o alcácer abarca o universo E não tem nem anverso nem reverso Nem muro externo nem secreto centro. Não penses que o rigor do teu caminho Que fatalmente se bifurca em outro, Que fatalmente se bifurca em outro, Terá fim. É de ferro o teu destino Como…
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José Ángel Buesa – Ela Amará a Outro Homem

“Ela amará a outro homem”, poema de José Ángel Buesa Ela amará a outro homem. Eu estarei longe, caminhando para o olvido. E pode ocorrer que alguém lembre meu nome, mas ela fingirá não tê-lo ouvido. (…)
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Nicanor Parra – O que ganha um velho ao fazer ginástica?

e o que ganha falando ao telefone? e o que ganha ficando famoso? e o que ganha um velho olhando-se no espelho? Nada afundar cada vez mais na lama Já são três ou quatro da madrugada – por que não trata de dormir? mas não – tome ginástica tome ligações de longa distância tome Bach…
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Jorge Luis Borges – Os Justos

Um homem que cultiva seu jardim, como queria Voltaire. O que agradece que na terra exista música. O que descobre com prazer uma etimologia. Dois empregados que em um café do Sur jogam um silencioso xadrez. O ceramista que premedita uma cor e uma forma. O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não…
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Jorge Luis Borges – Poema dos Dons

Ninguém rebaixe a lágrima ou censura Esta declaração da maestria De Deus, que com magnífica ironia Me deu mil livros e uma noite escura. Desta terra de livros fez senhores A olhos sem luz, que apenas se concedem Sonhar com bibliotecas e com cores De insensatos parágrafos que cedem As manhãs ao seu fim. Em…
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Jorge Luis Borges – Arte Poética

Fitar o rio feito de tempo e águae recordar que o tempo é outro rio,saber que nos perdemos como o rioE que os rostos passam como a água. Sentir que a vigília é outro sonhoque sonha não sonhar e que a morteque teme nossa carne é essa mortede cada noite, que se chama sonho. No…
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Jorge Luis Borges — Pátio

Com a tarde Cansaram-se as duas ou três cores do pátio. A grande franqueza da lua cheia Já não entusiasma o seu habitual firmamento. Hoje que o céu está frisado, Dirá a crendice que morreu um anjinho. Pátio, céu canalizado. O pátio é a janela por onde Deus olha as almas. O pátio é o…
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Jorge Luis Borges – Everness

Só uma coisa há. É o esquecimento. Deus, que salva o metal, salva a escória E cifra na sua profética memória as luas que serão e que hão sido. Já tudo está. Os mil reflexos, Que entre os dois crepúsculos do dia Teu rosto foi deixando nos espelhos e os que irá deixando ainda. E…
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Jorge Luis Borges – Cosmogonia

Nem treva nem caos. A treva Requer olhos que vêem, como o som. E o silêncio requer o ouvido, O espelho, a forma que o povoa. Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer Uma divindade que premedita O silêncio anterior à primeira Noite do tempo, que será infinita. O grande rio de Heráclito o…