Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Nicanor Parra – Cartas a uma Desconhecida

Quando passarem os anos, quando passarem os anos e o ar tenha cavado um fosso entre tua alma e a minha; quando passarem os anos e eu só seja um homem que amou, um ser que se deteve um instante diante de teus lábios, um pobre homem cansado de andar pelos jardins, onde estarás tu?…
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Nicanor Parra – Acácias

Passeando anos atrás por uma rua cheia de acácias em flor soube por um amigo bem informado que você tinha acabado de se casar. Respondi que por certo eu não tinha nada a ver com o assunto. Mas apesar de nunca ter amado você – e disso você sabe melhor do que eu – cada…
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Jaime Sabines – Te Amo às Dez da Manhã

Te amo às dez da manhã, e às onze, e ao meio-dia. Te amo com toda a minha alma e com todo o meu corpo, às vezes, em tardes chuvosas. Mas às duas da tarde, ou às três, quando eu me perco em pensar em nós dois, e tu pensas em comida ou nas tarefas…
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá uma porta. Já estás dentro, Mas o alcácer abarca o universo E não tem nem anverso nem reverso Nem muro externo nem secreto centro. Não penses que o rigor do teu caminho Que fatalmente se bifurca em outro, Que fatalmente se bifurca em outro, Terá fim. É de ferro o teu destino Como…
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José Ángel Buesa – Ela Amará a Outro Homem

“Ela amará a outro homem”, poema de José Ángel Buesa Ela amará a outro homem. Eu estarei longe, caminhando para o olvido. E pode ocorrer que alguém lembre meu nome, mas ela fingirá não tê-lo ouvido. (…)
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Nicanor Parra – O que ganha um velho ao fazer ginástica?

e o que ganha falando ao telefone? e o que ganha ficando famoso? e o que ganha um velho olhando-se no espelho? Nada afundar cada vez mais na lama Já são três ou quatro da madrugada – por que não trata de dormir? mas não – tome ginástica tome ligações de longa distância tome Bach…
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Jorge Luis Borges – Os Justos

Um homem que cultiva seu jardim, como queria Voltaire. O que agradece que na terra exista música. O que descobre com prazer uma etimologia. Dois empregados que em um café do Sur jogam um silencioso xadrez. O ceramista que premedita uma cor e uma forma. O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não…
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Jorge Luis Borges – Poema dos Dons

Ninguém rebaixe a lágrima ou censura Esta declaração da maestria De Deus, que com magnífica ironia Me deu mil livros e uma noite escura. Desta terra de livros fez senhores A olhos sem luz, que apenas se concedem Sonhar com bibliotecas e com cores De insensatos parágrafos que cedem As manhãs ao seu fim. Em…
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Jorge Luis Borges – Arte Poética

Fitar o rio feito de tempo e águae recordar que o tempo é outro rio,saber que nos perdemos como o rioE que os rostos passam como a água. Sentir que a vigília é outro sonhoque sonha não sonhar e que a morteque teme nossa carne é essa mortede cada noite, que se chama sonho. No…
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Jorge Luis Borges — Pátio

Com a tarde Cansaram-se as duas ou três cores do pátio. A grande franqueza da lua cheia Já não entusiasma o seu habitual firmamento. Hoje que o céu está frisado, Dirá a crendice que morreu um anjinho. Pátio, céu canalizado. O pátio é a janela por onde Deus olha as almas. O pátio é o…