Piedad Bonnett – Volta à Poesia

Outra vez volto a ti.
Cansada venho, definitivamente solitária.
Minha bolsa cheia de tristeza trago, carregada
de penas infinitas,
de dor.
Dos desertos venho com os lábios ardentes
e o olhar cego
pelo vento forte e a dura areia.
Abrasada de sede,
venho beber de teus profundos mananciais,
render-me em teus braços,
fundos braços de mãe, e em teu peito
de amante, misterioso,
onde bate teu coração como um enigma.
Agora
que descansando estou junto ao caminho,
te vejo aparecer em tudo:
na humilde carroça
em que o verde da couve é mais verde,
e no azul em que a tarde eclode.
Humilde, volto a ti de alma nua
a buscar o reflexo de meu rosto,
meu verdadeiro rosto
entre tuas águas.

Trad.: Nelson Santander

Piedad Bonnett – Vuelta a la Poesía

Otra vez vuelvo a tí.
Cansada vengo, definitivamente solitaria.
Mi faltriquera llena de penas traigo, desbordada
de penas infinitas,
de dolor.
De los desiertos vengo con los labios ardidos
y la mirada ciega
de tanto duro viento y ardua arena.
Abrazada de sed,
vengo a beber de tus profundos manantiales,
a rendirme en tus brazos,
hondos brazos de madre, y en tu pecho
de amante, misterioso,
donde late tu corazón como un enigma.
Ahora
que descansando estoy junto al camino,
te veo aparecer en cada cosa:
en la humilde carreta
en que es más verde el verde de las coles,
y en el azul en que la tarde estalla.
Humilde vuelvo a ti con el alma desnuda
a buscar el reflejo de mi rostro,
mi verdadero rostro
entre tus aguas.

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