Categoria: Poema
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Amalia Bautista – Al Cabo (em duas traduções)

No fim de contas No fim de contas são poucas as palavrasque nos doem de verdade, e muito poucasas que conseguem alegrar a alma.E são também muito poucas as pessoasque nos fazem bater o coração, e menosainda com o correr do tempo.No fim de contas, são pouquíssimas as coisasque na verdade importam nesta vida:poder amar…
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Vicente de Carvalho – Velho Tema I

Só a leve esperança, em toda a vida, Disfarça a pena de viver, mais nada; Nem é mais a existência, resumida, Que uma grande esperança malograda. O eterno sonho da alma desterrada Sonho que a traz ansiosa e embevecida, É uma hora feliz, sempre adiada E que não chega nunca em toda a vida. Essa…
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Amalia Bautista – Façamos uma limpeza geral

Leia “Façamos uma limpeza geral”, de Amalia Bautista, um poema delicado e profundo sobre memória, desapego e a coragem de recomeçar.
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Carlos Drummond de Andrade – Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das…
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Laura Liuzzi – Fio Sem Fim

Chega-se, enfim, à última página embora deixe claro: não se chega ao fim. Um mesmo fio fino frágil mas firme, da mesma fibra de rio conduz memória e história: storage — está estendido para sempre e para sempre soará, suará a cada renovação do sol, mesmo quando atingirmos o final — mesmo assim não se…
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Rainer Maria Rilke – Para recitar antes de adormecer

Eu queria cantar para dentro de alguém, sentar-me junto de alguém e estar aí. Eu queria embalar-te e cantar-te mansamente e acompanhar-te ao despertares e ao adormeceres. Queria ser o único na casa a saber: a noite estava fria. E queria escutar dentro e fora de ti, do mundo, da floresta. Os relógios chamam-se anunciando…
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Rainer Maria Rilke – Fonte Romana

Vila Borghese Duas velhas bacias sobrepondo suas bordas de mármore redondo. Do alto a água fluindo, devagar, sobre a água, mais embaixo, a esperar, muda, ao murmúrio, em diálogo secreto, como que só no côncavo da mão, entremostrando um singular objeto: o céu, atrás da verde escuridão; ela mesma a escorrer na bela pia, em…
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Adélia Prado – A Treva

Me escolhem os claros do sono engastados na madrugada, a hora do Getsêmani. São cruas claras visões às vezes pacificadas, às vezes o terror puro sem o suporte dos ossos, que o dia pleno me dá. A alma desce aos infernos, a morte tem seu festim. Até que todos despertem e eu mesma possa dormir,…
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Anne Sexton – Frágil Fio

Minha féé um grande pesopendurado num frágil fio,como a aranhasuspende seu bebê numa fina teia,como a videira,toda ramos e madeira,sustenta uvascomo globos oculares,como tantos anjosdançam na cabeça de um alfinete. Deus não precisade muito fio para mantê-Lo ali,apenas uma veia fina,com sangue pulsando,e um pouco de amor.Como já se disse:O amor e a tossenão podem…
