Categoria: Poema
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Laura Riding – Uma Gentileza

Estar viva é estar curiosa. Quando perder interesse pelas coisas E não estiver mais atenta, álacre Por fatos, acabo este minguado inquérito. A morte é a condição do supremo tédio. Vou deixar que me desintegre E aí, por saber da paz que a morte traz, Seria bom seguir convencendo o destino A ser mais generoso,…
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Giuseppe Ungaretti – Vigília

Cima Quatro, 23 de Dezembro de 1915 Toda uma noite em claro caído ao lado de um companheiro massacrado com sua boca arreganhada exposta à lua cheia com o hematoma de suas mãos cravado em meu silêncio escrevi cartas cheias de amor Não tinha nunca estado tão aferrado à vida Trad.: Nelson Ascher
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Giuseppe Ungaretti – Não gritem mais

Parem de matar os mortos, Não gritem mais, não gritem Se ouvir ainda os quiserem, Se imperecer ainda esperam. Eles, sussurro imperceptível, Não fazem mais ruído Que o mato quando cresce, Alegre, onde homem não passa. Trad.: Aurora Bernardini
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Giuseppe Ungaretti – Peso

Mariano, 29 de junho de 1916 Aquele camponês se fia na medalha de Santo Antonio e segue tranquilo Mas bem só e bem nua sem qualquer miragem carrego minha alma Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti
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Georg Trakl – Ocaso

A Karl Borromäus Heinrich Por sobre o lago branco Partiram os pássaros selvagens. No crepúsculo sopra de nossas estrelas um vento gelado. Por sobre os nossos túmulos Inclina-se a fronte despedaçada das trevas. Sob carvalhos, balançamos numa barca prateada. Sempre ressoam os muros brancos da cidade. Sob arcos de espinhos Oh, irmão, ponteiros cegos, escalamos…
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Georg Trakl – Olhando um velho álbum

Sempre voltas, melancolia, Mansidão da alma solitária. Por fim arde um dia dourado. Com humildade curva-se à dor o paciente Ressoando harmonia e suave loucura. Olha! Já escurece. Volta de novo a noite e um mortal lamenta-se E com ele sofre um outro. Arrepiada sob estrelas de outono, A cabeça mais baixa a cada ano.
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Federico García Lorca – E Depois…

Os labirintos que criam o tempo se desvanecem. (Só fica o deserto.) O coração, fonte do desejo, se desvanece. (Só fica o deserto) A ilusão da aurora e os beijos se desvanecem. Só fica o deserto. Um ondulado deserto. Trad.: William Agel de Mello Y después Los laberintosque crea el…
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Eugénio de Andrade – Adágio

O Outono é isto – apodrecer de um fruto entre folhas esquecido. Água escorrendo, quem sabe donde, ocasional e fria e sem sentido.
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José Saramago – É tão fundo o silêncio…

É tão fundo o silêncio entre as estrelas. Nem o som da palavra se propaga, Nem o canto das aves milagrosas. Mas lá, entre as estrelas, onde somos Um astro recriado, é que se ouve O íntimo rumor que abre as rosas.
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José Saramago – Diz tu por mim, silêncio

Não era hoje um dia de palavras, Intenções de poemas ou discursos, Nem qualquer dos caminhos era nosso. A definir-nos bastava um acto só, E já que nas palavras me não salvo, Diz tu por mim, silêncio, o que não posso. Conheça outros livros de José Saramago clicando aqui