Categoria: Poema
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Charles Bukowski – A Retirada

desta vez o negócio acabou comigo. me sinto como as tropas alemãs açoitadas pela neve e pelos comunistas caminhando curvadas as botas gastas forradas com papel jornal. minha condição é tão terrível quanto. talvez até pior. a vitória estava tão perto a vitória estava logo ali. enquanto ela estava ali diante de meu espelho mais…
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Paola Rodrigues – Vida Lúcida

Assim como ninguém explicou o início As ondas continuam a chegar na costa Tudo corre sempre em direção ao fim Os copos caem e as cidades se amontoam em nossas costas Amar o perdido deixa confundido este coração Ainda que os dias continuem a nascer Os ônibus andem, os outros durmam Meus pés tropeçam em…
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Miquel Martí i Pol – No ano que vem

No ano que vem já ninguém reparará em nós. Agora somos recém-chegados e fitam-nos com desprezo até mesmo os que andam por cá há quarenta anos e já nada os muda. Temos um ar aturdido e tenaz que faz rir as mulheres e quase nem nos atrevemos a mexer a cabeça por temor a perder…
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Manuel de Freitas – “Pela manhã o gato…”

Pela manhã o gato estende-se vagaroso nesse impreciso lugar em que luz e sombra se entretecem. Nas pedras rondantes do que sempre chamámos a nossa casa, esse sonho de irmos por detrás das janelas encarcerados nas agrestes paredes do amor. Todas as manhãs, enquanto a escola me espera, o gato é tão certo como os…
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César Cantoni – Uma Arte Invisível

O poeta caminha nu pelas ruas, mas ninguém o vê. O poeta vai ao cinema, desvia de putas, anda de ônibus, sempre nu, mas as pessoas olham para outro lado. O poeta não tem meios de chamar a atenção porque a poesia é uma arte invisível. A poesia se escreve sem palavras. Trad.: Nelson Santander…
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Carlos Marzal – Estranha Forma de Vida

A Vicente Gallego Sob a bigorna de fogo que o sol de agosto acende no muro caiado, derretem-se as pétalas de uma sedenta buganvília grená. Que estranha esta beleza moribunda, esta desaforada desnudez grandiosa, esta sílaba breve do milagre. Trad.: Inês Dias Carlos Marzal – Extraña Forma de Vida Bajo el yunque de…
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Billy Collins – Pardal de Natal

A primeira coisa que ouvi esta manhã foi um rápido bater de asas, suave, insistente – asas contra vidro, como se percebeu depois, lá em baixo, quando vi um pequeno pássaro agitando-se na moldura de uma janela alta, tentando lançar-se através do enigma de vidro até a ampla luz. E então um ruído na garganta…
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Ana Hatherly – A Verdadeira Mão

A verdadeira mão que o poeta estende não tem dedos: é um gesto que se perde no próprio ato de dar-se O poeta desaparece na verdade da sua ausência dissolve-se no biombo da escrita O poema é a única a verdadeira mão que o poeta estende E quando o poema é bom não te aperta…
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Inês Lourenço – Balada dos Amores Difíceis

Não me refiro aos trágicos Romeu e Julieta Tristão e Isolda, Pedro e Inês nem a alguns ignorados ícones como Yourcenar e Grace ou Rimbaud e Verlaine. Refiro-me aos que se buscam sem saber nada do fogo que arde sem se ver, órficos cantos, mas côncavos e convexos se combinam cruzando genes e transitórios tempos…
