Categoria: Poema
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Louise Glück – Vésperas (3)

Para além de mim, muito provavelmentevocê ama ainda mais as criaturas do campo; talvez, até o próprio campo, pontilhado em agostode chicórias-bravas e ásteres.Eu sei. Eu me compareia essas flores, com seu leque de sentimentostão menores e sem problemas; assim como à ovelha branca,na verdade, cinzenta: eu sou particularmenteapta a louva-lo. Então por quevocê me…
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Louise Glück – Vésperas (2)

Em sua prolongada ausência, você me permiteusar a terra, antecipandoalgum retorno sobre o investimento. Devo reportarque falhei em minha missão, principalmenteem relação à plantação de tomates.Acho que não devo ser encorajada a cultivartomates. Ou, se o for, você você deveria reteras fortes chuvas, as gélidas noites que sãotão comuns por aqui, enquanto outras regiões desfrutamde…
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Louise Glück – Vésperas (1)

Uma vez acreditei em você; plantei uma figueira.Aqui, em Vermont, uma terraque desconhece o verão. Era um teste: se a árvore sobrevivesse,isso provaria que você existe. Segundo essa lógica, você não existe. Ou existeexclusivamente em climas mais quentes,na fervorosa Sicília, no México e na Califórnia,onde crescem o inimagináveldamasco e o vulnerável pêssego. Talvezvejam sua face…
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Louise Glück – Solstício de verão

Como posso ajuda-los quando todos desejamcoisas distintas — luz do sol e sombra,tempo seco e umidade sombria — Ouçam a si próprios, competindo uns com os outros — E se perguntampor que desespero por vocês,achando que algo pode fundi-los em um todo — o ar imóvel do auge do verãoentrelaçado com mil vozes cada qual…
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Louise Glück – A porta de entrada

Eu queria permanecer como eu era,imóvel como o mundo raramente fica,não no solstício de verão, mas no momento anteriorà flor fundamental se formar, o momentoem que nada ainda é passado — não o solstício de verão, intoxicante,mas a tardia primavera, a grama ainda nãoalta nos limites do jardim, as primeiras tulipascomeçando a desabrochar — como…
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Louise Glück – Céu e terra

Onde um acaba, a outra começa.No alto, uma faixa de azul; abaixo,uma faixa de verde e dourado, verde e rosa profundo. John está no horizonte: ele querambos ao mesmo tempo, ele quertudo de uma vez. Os extremos são fáceis. Apenaso meio é um enigma. Meio do verão —tudo é possível. Significado: a vida nunca mais…
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Louise Glück – Matinas (7)

Não apenas o sol mas a própriaterra brilha, fogo brancoirrompendo das imponentes montanhase da estrada planatremeluzindo nas primeiras horas da manhã: será issoapenas para nós, para provocar umaresposta, ou você tambémfica mexido, incapazde se conterna presença da terra? Sinto vergonhado que eu pensava que você fosse,distante de nós, nos observandocomo um experimento: éamargo sero animal…
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Louise Glück – Trevo

O que está dispersoentre nós, que você chamade sinal de bem-aventurança,embora seja, como nós,uma erva daninha, uma coisapara ser extirpada — qual lógicao faz reterum único brotode algo que desejamorto? Se há alguma presença entre nóstão poderosa, não deveria elase multiplicar, a serviçodo adorado jardim? Você mesmo deveriaestar fazendo essas perguntas,não deixando-aspara suas vítimas. Você…
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Louise Glück – A papoula vermelha

O melhor de tudoé não teruma mente. Sentimentos:oh, eu os tenho; elesme governam. Tenhoum senhor no céuchamado sol, e me abroa ele, mostrando-lheo fogo do meu próprio coração, ardentecomo a sua presença.O que poderia ser tal glóriase não um coração? Oh meus irmãos e irmãs,vocês já foram como eu, tempos atrás,antes de se tornarem humanos?Já…
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Louise Glück – Campo de flores

O que você está dizendo? Que desejavida eterna? Seus pensamentos realmentesão tão convincentes assim? Certamentevocê não nos vê, não nos ouve,mancha de solem sua pele, póde ranúnculos amarelos: estoufalando com você, aí, olhando fixamenteatravés das barras de grama alta que agitamseus pequenos chocalhos — Óalma! a alma! É suficienteapenas olhar para dentro? O desprezopela humanidade…