Louise Glück – Vésperas: Parousia

Amor da minha vida, você
Está perdido e eu sou
Jovem novamente.

Alguns anos se passaram.
O ar se enche
Com música de meninas;
No jardim da frente
A macieira
Está repleta de flores.

Eu tento reconquista-lo.
É esse o propósito
Da escrita.
Mas você se foi para sempre.
Como nos romances russos, dizendo
Algumas palavras das quais não me lembro –

Quão exuberante é o mundo,
Quão cheio de coisas que não me pertencem –

Eu assisto as flores se despetalarem,
Já não são cor-de-rosa,
Mas velhas, velhas, de um branco amarelado –
As pétalas parecem
Flutuar na relva brilhante,
Tremulando ligeiramente.

Que nada você foi
Para se transmudar tão rapidamente
Em uma imagem, um odor –
Você está em toda parte, fonte
De sabedoria e angústia.

Trad.: Nelson Santander

Vespers: Parousia

Love of my life, you
Are lost and I am
Young again.

A few years pass.
The air fills
With girlish music;
In the front yard
The apple tree is
Studded with blossoms.

I try to win you back,
That is the point
Of the writing.
But you are gone forever,
As in Russian novels, saying
A few words I don’t remember –

How lush the world is,
How full of things that don’t belong to me-

I watch the blossoms shatter,
No longer pink,
But old, old, a yellowish white-
The petals seem
To float on the bright grass,
Fluttering slightly.

What a nothing you were,
To be changed so quickly
Into an image, an odor-
You are everywhere, source
Of wisdom and anguish.

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