Categoria: Poema
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Marcia Vinci – Mãe Solteira

dadeiraparideiranutrizcriadeiratoda mãeé sozinhatoda mãeé solteira REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 12/03/2018
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Raymond Carver – Chuva

Despertei esta manhã com a urgênciaterrível de permanecer na cama o dia inteiroe ler. Lutei contra isso por um minuto. Depois olhei a chuva pela janela.e me rendi. Coloquei-me inteiramentenas mãos dessa manhã chuvosa. Viveria minha vida novamente?Cometeria os mesmos erros imperdoáveis?Sim, se tivesse a mínima chance. Sim. Trad.: José Antônio Cavalcanti Rain Woke up…
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Vicente Gaos – Testamento

Eu, Vicente Gaos, natural do nada, de mil séculos de idade, de estado civilsolitário, instáveldomiciliado/refugiado num canto do cosmos,de profissão náufrago na sombra,sem carteira de identidade, sem títulos, condecorações nem diplomas de espécie alguma,sem qualquer sinal particular visível no peito nem em nenhuma outra parte do corpo,sem outra cicatriz além de uma necrose do miocárdio,uma…
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George Bilgere – Tudo bem

Eu me sento aqui na calçada da cafeteria,emitindo a amarela fumaça doentia da senescênciaenquanto as pessoas passam fingindonão notar, olhando para longeou para os seus telefones,fazendo o melhor por comoção ou cortesiapara me ignorar sentado aqui envelhecendo,e eu não os culpo, é mesmo difícil de assistir. E agora a garçonete em sua beleza abrasadora,em sua…
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Ernesto Pérez Vallejo – Perdão, falava em voz alta

Queres mesmo que eu seja sincero? Se não esperas nada de ninguémNunca poderão desapontá-la.A esperança é aquele relógioque sempre marca a hora errada. Se não escolheres o caminho errado algumas vezescomo diabos saberás qual deles era o certo? Nos momentos felizes, não sabemos ao certo se estamos tristes.Mas, quando tristes, todos sabemos quando estávamos felizes.…
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Elizabeth Jennings – Uma só carne

Cada qual em sua cama, deitados separados agora,Ele com um livro, uma luz acesa até hora incerta,Ela, como uma menina, sonhando com sua aurora,Todos os homens em outros lugares – é como se certaNova ocorrência esperassem: o livro que ele detémMas não lê, os olhos dela pregados nas sombras além. Lançados acima como destroços de…
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Javier Salvago – Fim de Festa

Enfim sós, vida. A festa acaboue não resta ninguém para nos obrigara sorrir, ou a inventar desagradáveismentiras inofensivas. Todos se foram. Despe-te sem medo. Conheçoas velhas rugas de tua triste carne.Acariciei-as. Sei o que teu rostooculta por baixo da maquiagem. Enfim sós, vida. A casa em silêncioe tu e eu nus, calados e ausentes,– juntos…
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James Crews – Kintsugi

Qualquer um que ama outra pessoajá tem o coração partido.É a lei: se quer que aquela luzinunde seu corpo, você deveexpor as cicatrizes através das quaisela jorra, pois elas são a fontede sua beleza e de sua força.Pense nos japoneses que preenchemas fissuras de uma vasilha de cerâmicacom ouro puro, não apenas exibindoestas chamadas falhas,…
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Luis Alberto de Cuenca – Insônia

A vida é muito curta.Não há tempo para fazer nada. Não há meiosde reunir dias suficientespara aprender alguma coisa. Tu te levantas,abraças tua namorada, tomas teu café da manhã,trabalhas, comes, dormes, vais ao cinema,e sequer tens um momentopara ler Sêneca e acreditarque tudo neste mundo tem conserto.A vida é um instante. Não entendopor que esta…
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Joyce Sutphen – Vivendo no corpo

Corpo é uma coisa de que você precisa para permanecerneste planeta e só dispõe de um.E não importa qual você tenha obtido, ele nãoserá satisfatório. Não será bonitoo suficiente, não será rápido o suficiente, não durará por vários dias seguidos, maso arrastará para um pântano sonolento eexigirá maçãs e cafés e bolos de chocolate. Corpo…