Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Ross Gay – Homem tenta cometer suicídio com uma besta

For Thomas Lux E fracassa. Primeiro, imagine a armaapontada para o céu, logo abaixo do queixo. Após o rápidoclique do gatilho, o seguinte: o que, para essenão-morto, deve ter soado como o estratosférico estrondo de um foguete,o que significa dizer que a setacoroou sua copa (ou seja, fixou-se). Nesse ponto, com a cabeçaagora espetada, o…
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Ursula K. Le Guin – Somos poeira

Somos poeira em sofrimento.A luz brilha através de nóscomo através do spray das ondas, poeira de líquido*estourando, ou da chuva que cai. Trad.: Nelson Santander N. do T.: A escolha dos versos “poeira de líquido / estourando” nesta tradução busca, dentro do possível, preservar a ambiguidade dos versos “dust of water / breaking” no poema…
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Ian Hamilton – Admissão

Os lábios rachados do porteiro noturno uniformizadoMurmuram horrivelmente contra o vidro embaçadoDe nossa ambulância escura.Nossa afliçãoInspira um único olhar marcial de desdémE logo ele nos indica o caminho, para a “Pátria”. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 18/04/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter…
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Gerard Smyth – A caminho

Estamos em um trem que segue em direção ao mar.Os nomes das estações estão no meio do caminhoentre dois idiomas. A paisagem é austera,como se à espera de um ataque.Tudo está em seu devido lugar.Tudo repousa ali sem se mover:o lodo no fundo do lago, a areiaque alcançou a praia.A quietude nos questiona sobre o…
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Ross Gay – Como aprender a amar o seu pai

“Como aprender a amar o seu pai”, um poema de Ross Gay que transforma o gesto físico de erguer o pai debilitado em metáfora de reconciliação e aprendizado afetivo, explorando silêncio, memória e a gravidade emocional entre pai e filho.
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Ángel González – Aniversário

Eu percebo: como estou me tornandomais incerto, confuso,dissolvendo-me no arcotidiano, brutopedaço de mim, desgastadoe em frangalhos. Eu compreendo: vivimais um ano, e isso é muito duro.Pulsar o coração todos os diasquase cem vezes por minuto! Viver um ano requermorrer muito muitas vezes. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 15/04/2019 Mais do…
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Timothy Liu – Thoreau

Meu pai e eu não temos para onde ir.Sua esposa não nos deixa entrar em casa —medo de contrair AIDS. Ela acredita quedormir com homens é pior do que um pecado,meu pai diz, enquanto nos sentamos no meio-fioem frente à casa dos vizinhos.Sessenta e quatro anos tornaram meu paiimpotente. Raízes grisalhas e tinta pretadesbotada manchando…
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Mary Oliver – Às vezes

1. Algo emergiuda escuridão.Não era nada que eu já tivesse visto antes.Não era um animalou uma flor,a menos que fosse ambos. Algo emergiu da água,uma cabeça do tamanho da de um gatomas enlameada e sem orelhas.Eu não sei o que é Deus.Eu não sei o que é a morte. Mas creio que eles tenham entre…
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Joan Margarit – O ano em que ela morreu

Na fotografia em sépiaés jovem e sorri. Faz-me lembraras mulheres dos filmes de guerrada minha infância:barcos na neblina, trens noturnose grandes cidades sob o alarme aéreo.Na lápide está escrito que ela se foino inverno de 44,aos vinte anos, quando me apaixonavapela sufocante escuridãocruzada por um raio de luz, a heroínados sonhos de amor de minha…
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Tomas Tranströmer – Postais Pretos

I O calendário está repleto; o futuro é incerto.Os fios entoam uma canção folclórica apátrida.A neve cai sobre o mar cinzento. Sombrascombatem no cais. II No meio da vida, eis que a morte chegae tira nossas medidas. Essa visita logoé esquecida, e seguimos com a vida. Mas a vestesegue sendo silenciosamente cosida. Trad.: Nelson Santander…