Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Joan Margarit – Banheiro

Cuido para que não caias ao banhar-te,e ao secar-te as costas sigo suavementea grande cicatriz da espinha.O futuro está sempre na janela.Tua vida é este pequeno espaçode tua cama e tua música, este céude umas poucas pessoas e uma casa.E pela primeira veznão estarei mais contigo.Não virei mesmo que me chames.Ficarei te olhandonas fotografias dos…
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Joseph Stroud – Lázaro em Varanasi

De uma pira no flamejante ghat,um cadáver se ergue lentamente entre as chamas.Como se lembrasse de algo importante.Como se quisesse olhar ao redor uma última vez.Como se finalmente tivesse algo a dizer.Como se houvesse uma saída para isso. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a…
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Joseph Stroud – Lendo Kaváfis sozinho na cama

Eu, também, me lembro do passado, meu quarto iluminado por velas, e da noite em que ela entrou e tocou meu rosto com seu rosto, com boca e língua e lábios, do pomar à noite, do odor das frutas, seus seios – lembra, corpo? – aquele quarto, lembra? – nossos gritos, as velas bruxuleantes? Trad.:…
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Carlos Bousoño – À distância

Passa a juventude, e passa a vida, passa o amor, a morte também passa, o vento, a amargura que trespassa a pátria espessa, hirta e adormecida. Adormecida, em sonho eterno, olvida. Mortos e vivos na mesma argamassa dormem igual sina e alegria escassa. Pátria, profundeza, pedra perdida. Pedra perdida, imersa, vivos, mortos. Toda Espanha dorme…
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Ian Hamilton – Vizinhos

Das janelasDo decadente hotel do outro lado da ruaMisteriosos hóspedes noturnos emergemEm suas varandasPara aspirar o ar fresco da noite. Nós os deixamos nos observarEm nossas vidas pacatas.Eles nos permitem imaginaro que o destino lhes reservou. Trad.: Nelson Santander Neighbours From the bay windowsOf the mouldering hotel across the road from usMysterious, one-night itinerants emergeOn…
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Joan Margarit – Por que fomos covardes

Não poderás esquecer meu corpo esguio e ágil. Sempre farás amor com uma sombra de olhos azuis, e estarás tão só como em uma vingança. Ao longe, as luzes de Roses cintilam assim como a minha memória. Há uma fúria triste, mas ninguém no final. Perdemos o cavalo sem cavaleiro que nunca passa uma segunda…
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Idea Vilariño – Não mais

Não mais será não mais não viveremos juntos não criarei teu filho não coserei tua roupa não te terei à noite não te beijarei ao partir nunca saberás quem fui por que outros me amaram. Não chegarei a saber por que nem porque nunca nem se era verdadeiro o que disseste que era nem quem…
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Ian Hamilton – Última Valsa

De onde estamos quase que podemos identificar Os rostos destas pessoas que não conhecemos: Um semi-círculo sombreado Ao redor do enorme aparelho de TV doado Que domina nossa ala. A ‘Última Valsa’ espalha-se sobre eles Iluminando Amistosos, exaustos sorrisos. E nós, Como se nos importássemos, também sorrimos. Para cada alma perdida, nesta hora tardia Um…
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Jaime Gil de Biedma – Depois da morte de Jaime Gil de Biedma

No jardim, lendo, a sombra da casa tolda as páginas e o frio repentino do final de agosto faz-me pensar em ti. O jardim e a casa vizinha onde piam os pássaros nas trepadeiras, uma tarde de agosto, quando começa a anoitecer e tem-se ainda o livro nas mãos, eram, lembro-me, teu símbolo da morte.…
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Vicente Gaos – Homem Total

“Homem Total”, um poema de Vicente Gaos que homenageia Lope de Vega ao revisitar suas paixões e musas, refletindo sobre a intensidade do amor, a fugacidade dos anos e a elevação espiritual que transcende os gozos e pesares da experiência humana.