Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Joan Margarit – Monumentos

O vazio que sentes, cada vez com mais força,é o dos traidores.Também os monumentos, por dentro, são vazios,com as entranhas cheias de ferrugem e de morte:escuros e corroídos pela história,é tão sinistro seu interiorcomo arrogante o gesto que no ardesenha a personagem.À medida que os amigos nos traem– e a morte é também uma traição…
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Ian Hamilton – Lamento

Fiz o que pude. Meus garotos correm soltos agora.Eles buscam oportunidades enquanto a mãe deles apodrece aqui.E rua acima, o homem,Meu único homem, que me tocou em todos os lugares,Desmancha-se sob a terra. Sou triste, obtusa, velha e alienada.À noite, sinto minhas mãos vagando sobre mim,Sondando meus seios, meus joelhos,As dobras do meu ventre,Vez ou…
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Joan Margarit – Ela

É tempo de não esperar por ninguém. Passa o amor, fugaz e silencioso, como, na distância, um trem noturno. Não resta ninguém. É hora de voltar ao desolado reino do absurdo, ao sentimento de culpa, ao medo vulgar de perder o que estava, já, perdido. Ao inútil e sórdido tempo moral. É hora já de…
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José Manuel Caballero Bonald – Transfiguração do perdido

A música convoca as imagens degradadas do tempo. De onde estão me chamando, de qual penumbra, quando retornam para mim? Nada me pertence senão aquilo que perdi. Máscara do passado, a memória conflui para um fundo difuso de alegrias em que tudo soçobra e se reduz a nada, onde está minha verdade tornando-se mais crédula.…
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Rafael Montesinos – Vida

Nasceu. Viveu feliz. Sorveu a vida de um só e belo trago adolescente. Buscou a solidão, e se viu frente a uma atroz, inesperada ferida. Em desvario, deu para crer em tudo. “Oh sensatez de não se crer em nada!”, disse, e depois a alma, entusiasmada quis sentir a vida de um outro modo. Farto…
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Ian Hamilton – Admissão

Os lábios rachados do porteiro noturno uniformizadoMurmuram horrivelmente contra o vidro embaçadoDe nossa ambulância escura.Nossa afliçãoInspira um único olhar marcial de desdémE logo ele nos indica o caminho, para a “Pátria”. Trad.: Nelson Santander Admission The chapped lips of the uniformed night-porterMumble horribly against the misted glassOf our black ambulance.Our plightInspires a single, soldierly, contemptuous…
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Ángel González – Aniversário

Eu percebo: como estou me tornandomais incerto, confuso,dissolvendo-me no arcotidiano, brutopedaço de mim, desgastadoe em frangalhos. Eu compreendo: vivimais um ano, e isso é muito duro.Pulsar o coração todos os diasquase cem vezes por minuto! Viver um ano requermorrer muito muitas vezes. Trad.: Nelson Santander Cumpleaños Yo lo noto: cómo me voy volviendomenos cierto, confuso,disolviéndome…
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Jaime Gil de Biedma – Pandêmia e Celeste

Quan magnus numerus Libyssae arenae …………………………….. Aut quam sidera multa, cum tacet nox, Furtiuos hominum uident amores. CATULO, VII Imagina agora que tu e eu muito tarde da noite falamos de homem para homem, enfim. Imagina-o, em uma dessas noites memoráveis de rara comunhão, com a garrafa meio vazia, os cinzeiros sujos, depois de esgotado…
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Joan Margarit – O ano em que ela morreu

Na fotografia em sépiaés jovem e sorri. Faz-me lembraras mulheres dos filmes de guerrada minha infância:barcos na neblina, trens noturnose grandes cidades sob o alarme aéreo.Na lápide está escrito que ela se foino inverno de 44,aos vinte anos, quando me apaixonavapela sufocante escuridãocruzada por um raio de luz, a heroínados sonhos de amor de minha…
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Luís García Montero – Resumo dos fatos

Falei com a morte por telefonee recebi e-mails de amor que foram apagadossem deixar uma única lágrima em papel amarelo.Ninguém esqueça os tempos, mas ninguém se engane:no final, apenas o amor e a morte importam. Trad.: Nelson Santander Resumen de los hechos He hablado con la muerte por teléfonoy he recibido e-mails de amor que…