Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Joseph Stroud – Tributo a Rolf Jacobsen

A jaqueta amarela fica batendo contra a vidraça tentando sair. Desde o começo era apenas uma questão de abrir a janela, encontrar as palavras, e você por aí – em um outro, maior mundo. Para os mortos, o paraíso é a calçada na qual você caminha olhando as janelas, cantarolando, parando para um café. Trad.:…
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Luis Alberto de Cuenca – O desjejum

Gosto quando dizes disparates, quando fazes asneiras, quando mentes, quando vais às compras com tua mãe e chego atrasado ao cinema por tua culpa. Gosto mais quando é meu aniversário e me cobres de beijos e bolos, ou quando estás feliz e dá para notar, ou quando és genial com uma frase que resume tudo,…
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Ian Hamilton – Fantasmas

O caixão lustroso e suntuosamente adornadoDesliza como um novo navio para as profundezas em chamas.Na terra firme,A congregação se ajoelha em murmúrios. Do meu banco no cantoTenho uma visão livre e desimpedidade sua partida.Se você estivesse deitada de ladoTalvez pudesse captar seu olhar insuspeito. No pátio, ao anoitecer,Os tributos florais. Eu poderia jurarTer visto vocêAspirando…
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Joan Margarit – Banheiro

Cuido para que não caias ao banhar-te,e ao secar-te as costas sigo suavementea grande cicatriz da espinha.O futuro está sempre na janela.Tua vida é este pequeno espaçode tua cama e tua música, este céude umas poucas pessoas e uma casa.E pela primeira veznão estarei mais contigo.Não virei mesmo que me chames.Ficarei te olhandonas fotografias dos…
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Joseph Stroud – Lázaro em Varanasi

De uma pira no flamejante ghat,um cadáver se ergue lentamente entre as chamas.Como se lembrasse de algo importante.Como se quisesse olhar ao redor uma última vez.Como se finalmente tivesse algo a dizer.Como se houvesse uma saída para isso. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a…
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Joseph Stroud – Lendo Kaváfis sozinho na cama

Eu, também, me lembro do passado, meu quarto iluminado por velas, e da noite em que ela entrou e tocou meu rosto com seu rosto, com boca e língua e lábios, do pomar à noite, do odor das frutas, seus seios – lembra, corpo? – aquele quarto, lembra? – nossos gritos, as velas bruxuleantes? Trad.:…
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Carlos Bousoño – À distância

Passa a juventude, e passa a vida, passa o amor, a morte também passa, o vento, a amargura que trespassa a pátria espessa, hirta e adormecida. Adormecida, em sonho eterno, olvida. Mortos e vivos na mesma argamassa dormem igual sina e alegria escassa. Pátria, profundeza, pedra perdida. Pedra perdida, imersa, vivos, mortos. Toda Espanha dorme…
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Ian Hamilton – Vizinhos

Das janelasDo decadente hotel do outro lado da ruaMisteriosos hóspedes noturnos emergemEm suas varandasPara aspirar o ar fresco da noite. Nós os deixamos nos observarEm nossas vidas pacatas.Eles nos permitem imaginaro que o destino lhes reservou. Trad.: Nelson Santander Neighbours From the bay windowsOf the mouldering hotel across the road from usMysterious, one-night itinerants emergeOn…
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Joan Margarit – Por que fomos covardes

Não poderás esquecer meu corpo esguio e ágil. Sempre farás amor com uma sombra de olhos azuis, e estarás tão só como em uma vingança. Ao longe, as luzes de Roses cintilam assim como a minha memória. Há uma fúria triste, mas ninguém no final. Perdemos o cavalo sem cavaleiro que nunca passa uma segunda…
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Idea Vilariño – Não mais

Não mais será não mais não viveremos juntos não criarei teu filho não coserei tua roupa não te terei à noite não te beijarei ao partir nunca saberás quem fui por que outros me amaram. Não chegarei a saber por que nem porque nunca nem se era verdadeiro o que disseste que era nem quem…