Tag: Memento Mori
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá uma porta. Já estás dentro, Mas o alcácer abarca o universo E não tem nem anverso nem reverso Nem muro externo nem secreto centro. Não penses que o rigor do teu caminho Que fatalmente se bifurca em outro, Que fatalmente se bifurca em outro, Terá fim. É de ferro o teu destino Como…
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nada lhes pediu, o que um dia levam embora; e se não foi pedida a coisa dada não cabe se queixar da perda agora. Mas não ter tido nunca nada, não seria bem melhor — ou menos mau? Mesmo sabendo que uma solidão completa era o capítulo final,…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

VII Nada disso foi do jeito que eu quis. Se fosse como eu quis, não haveria de ser tão sofrido, tão infeliz. Mas eu – o eu que sou – eu não seria. Assim, não me lamento. Até me sinto como quem tem não o que foi pedido, e sim o que, guiado pelo instinto,…
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Paulo Henriques Britto – Memento Mori II

Luz frágil que brota no breu e num rápido relance dá forma e cor e corpo às coisas todas, luz que se apega o pouco que pode às aparências, acredita piamente no sonho de substância que secretam, luta com todas as parcas forças contra o conforto de apagar-se enfim por trás de duas implacáveis pálpebras.
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Paulo Henriques Britto – Memento Mori I

Nenhum sinal da solidão se vê lá onde o amor corrói a carne a fundo. Dentro da pele, no entanto, você é só você contra o mundo. Esta felicidade que abastece seu organismo, feito um combustível, é volátil. Tudo que sobe desce. Tudo que dói é possível.
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Paulo Henriques Britto – De “Três Epifanias Triviais”

As coisas que te cercam, até onde alcança tua vista, tão passivas em sua opacidade, que te impedem de enxergar o (inexistente) horizonte, que justamente por não serem vivas se prestam para tudo, e nunca pedem nem mesmo uma migalha de atenção, essas coisas que você usa e esquece assim que larga na primeira mesa —…
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Ferreira Gullar – Redundâncias

Ter medo da morteé coisa dos vivoso morto está livrede tudo o que é vida Ter apego ao mundoé coisa dos vivospara o morto não há(não houve)raios rios risos E ninguém vive a mortequer morto quer vivomera noção que existesó enquanto existo
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Cassiano Ricardo – Morrer não será dormir

Morrer não será dormir, pois não existe horizonte para poder haver sono. Será ser indiferente. Apenas indiferente. Que tanto faça haver sol como o sol não seja mais do que um simples girassol. Não será, só, o morrer porque se deixou de ser. Será – por indiferença – tanto estar o mundo morto como imundo…
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Carlos Drummond de Andrade – José

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não…
