Tag: Memento Mori
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Cecilia Meireles – Cantarão os Galos

Cantarão os galos, quando morrermos, e uma brisa leve, de mãos delicadas, tocará nas franjas, nas sedas mortuárias. E o sono da noite irá transpirando sobre as claras vidraças. E os grilos, ao longe, serrarão silêncios, talos de cristal, frios, longos ermos, e o enorme aroma das árvores. Ah, que doce lua verá nossa calma…
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João Cabral de Melo Neto – A Viagem

Quem é alguém que caminha toda manhã com tristeza dentro de minhas roupas, perdido além do sonho e da rua? Das roupas que vão crescendo como se levassem nos bolsos doces geografias, pensamentos de além do sonho e da rua? Alguém a cada momento vem morrer no longe horizonte de meu quarto, onde esse alguém…
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Cassiano Ricardo – Jogo de Xadrez

1 Não posso, sem remorso, ver uma criatura dormindo. Tão sincera, dá-se tanto (tão f o t o g ê n i c a- m e n t e) que me arrependo de não lhe haver sido mais puro quando falávamos, há pouco. A morte, se igual ao sono, absolvido, já, da luta, deverá ser…
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William Carlos Williams – Entre Muros

alas traseiras do hospital onde nada medra jazem cinzas nas quais cacos verdes brilham garrafa Trad.: Haroldo de Campos
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Cassiano Ricardo – Ode Pastoril

A paisagem é minha só porque tenho olhos. O pássaro é meu só porque tenho ouvidos. Amo com a mão as coisas que o estar aqui me deu. No universal verde, sou meu ser, não sou eu. Em meu léxico lírico só existem duas palavras, e uma é irmã da outra: a manhã e o…
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Carlos Drummond de Andrade – Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo…
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Carlos Drummond de Andrade – O Medo

Em verdade temos medo. Nascemos escuro. As existências são poucas: Carteiro, ditador, soldado. Nosso destino, incompleto. E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo. Vestimos panos de medo. De medo, vermelhos rios vadeamos. Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos. Há as árvores, as fábricas, Doenças galopantes, fomes. Refugiamo-nos no amor, este…
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Rainer Maria Rilke – Morgue

Estão prontos, ali, como a esperar que um gesto só, ainda que tardio, possa reconciliar com tanto frio os corpos e um ao outro harmonizar; como se algo faltasse para o fim. Que nome no seu bolso já vazio há por achar? Alguém procura, enfim, enxugar dos seus lábios o fastio: em vão; eles só…
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Engenheiros do Hawaii – Novos Horizontes
Corpos em movimento O universo em expansão E o apartamento que era tão pequeno Não acaba mais “Vamos dar um tempo” Não sei quem deu a sugestão E aquele sentimento que era passageiro Não acaba mais Quero explodir as grades E voar Não tenho pra onde ir Mas não quero ficar Novos horizontes Se não…