Tag: Memento Mori
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Mário Cesariny – Lembra-te

Lembra-te que todos os momentos que nos coroaram todas as estradas radiosas que abrimos irão achando sem fim seu ansioso lugar seu botão de florir o horizonte e que dessa procura extenuante e precisa não teremos sinal senão o de saber que irá por onde fomos um para o outro vividos
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Gonçalo M. Tavares – Os Mortos

Não há mortos que morram tanto como os nossos. Se um daqueles que nos pertence morre sete ou setenta vezes no coração, de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data, e os que sempre viveram longe morrem-nos metade ou um oitavo. E metade de uma morte é quase nada, são casas decimais…
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Mário Dionísio – Elegia ao Companheiro Morto

Meu companheiro morreu às cinco da manhã Foi de noite ao fim da noite às cinco em ponto da manhã Ah antes fosse noite noite apenas noite sem a promessa da manhã Ah antes fosse noite noite noite apenas noite e não houvesse em tudo a promessa da manhã Deitado para sempre às cinco da…
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Bruna Kalil – Paleativa

Você é rebelde só da cintura para baixo 1984, George Orwell busco prazer sendo profana para que o físico compense o descompasso do meu interior tão triste e tão mole. fujo dos sentimentos justamente por ter a plena consciência de que sou sentimental dem- ais. tenho medo, pavor, fobia de apaixonar-me outra vez, dói…
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Ana Martins Marques – Religião

‘If I were called in to construct a religion I should make use of water’ – Philip Larkin Inaugurar uma religião: adorar os pontos em que se formam as estações do ano os gestos de desnudar-se o dia depois da chuva a distância: entre uma árvore e outra árvore, entre cidades com o mesmo nome…
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezo pelo que é transitório e finito. Não servirei senhor que possa morrer. Mas passamos a vida a amar todas as fragilidades das coisas que cessam. Há coisa mais breve do que um sorriso? Coisa mais curta que a alegria de um reencontro? Tudo o que amamos é passageiro e frágil ou as duas…
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Amalia Bautista – Agora

Agora que a estrada que devo percorreré um viaduto por sobre uma rodoviado qual dá medo de olhar, porque o abismoimplacável me chama.Agora que morreu a esperançacomo um pássaro jogado de seu ninhopor irmãos mais fortes.Agora que é noite todo dia,inverno todo anoe as semanas só têm segundas-feiras,para onde olhar, para onde voltar os olhos,que…
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Adélia Prado – A Treva

Me escolhem os claros do sono engastados na madrugada, a hora do Getsêmani. São cruas claras visões às vezes pacificadas, às vezes o terror puro sem o suporte dos ossos, que o dia pleno me dá. A alma desce aos infernos, a morte tem seu festim. Até que todos despertem e eu mesma possa dormir,…
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Dylan Thomas – E a Morte não terá nenhum Domínio

E a morte não terá nenhum domínio. Nus, os mortos irão se confundir Com o homem no vento e a lua no poente; Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó, Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos; Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos, Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir; Ainda…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa, que a vida está um deserto e o coração só me pulsa sombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa, que a lua avança no mar e há salobros fantasmas que não quero visitar. Vamos beber…