Tag: Memento Mori
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Torquato Neto – Cogito

eu sou como eu sou pronome pessoal intransferível do homem que iniciei na medida do impossível eu sou como eu sou agora sem grandes segredos dantes sem novos secretos dentes nesta hora eu sou como eu sou presente desferrolhado indecente feito um pedaço de mim eu sou como eu sou vidente e vivo tranqüilamente todas…
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Manuel Bandeira – Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro, Tu refletes as minhas rugas, Os meus cabelos brancos, Os meus olhos míopes e cansados. Espelho, amigo verdadeiro, Mestre do realismo exato e minucioso, Obrigado, obrigado! Mas se fosses mágico, Penetrarias até o fundo desse homem triste, Descobririas o menino que sustenta esse homem, O menino que não quer morrer, Que não…
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Augusto de Campos – O Vivo

Não queiras ser mais vivo do que és morto. As sempre-vivas morrem diariamente Pisadas por teus pés enquanto nasces. Não queiras ser mais morto do que és vivo. As mortas-vivas rompem as mortalhas Miram-se umas nas outras e retornam (Seus cabelos azuis, como arrastam o vento!) Para amassar o pão da própria carne. Ó vivo-morto…
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Ferreira Gullar – O Que Se Foi

O que se foi se foi. Se algo ainda perdura é só a amarga marca na paisagem escura. Se o que foi regressa, traz um erro fatal: falta-lhe simplesmente ser real. Portanto, o que se foi, se volta, é feito morte. Então por que me faz o coração bater tão forte?
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Machado de Assis – Uma Criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável, que a si mesma devora os membros e as entranhas, com a sofreguidão da fome insaciável. Habita juntamente os vales e as montanhas; e no mar, que se rasga, à maneira de abismo, espreguiça-se toda em convulsões estranhas. Traz impresso na fronte o obscuro despotismo. cada olhar que…
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Adriana Calcanhotto – Jovens e Velhos

Antes de mim vieram os velhos Os jovens vieram depois de mim E estamos todos aqui No meio do caminho dessa vida Vinda antes de nós E estamos todos a sós No meio do caminho dessa vida E estamos todos no meio Quem chegou e quem faz tempo que veio Ninguém no início ou no…
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Jorge Luis Borges – Aqui. Hoje.

Já somos o esquecimento que seremos. A poeira elementar que nos ignora e que foi o ruivo Adão e que é agora todos os homens e que não veremos. Já somos na tumba as duas datas do princípio e do término, o esquife, a obscena corrupção e a mortalha, os ritos da morte e as…
