Tag: Espiritualidade
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Raymond Carver – Esta manhã

Esta manhã foi especial. Um pouco de nevecobria o chão. O sol flutuava num clarocéu azul. O mar estava azul, e verde-azulado,até onde o olho podia enxergar.Calmo. Quase sem ondas. Eu me vestie saí para caminhar – decidido a não voltaraté receber o que a Natureza tivesse a oferecer.Passei perto de algumas árvores velhas, curvadas.Atravessei…
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Joy Harjo – Canção de outono

É um dia escuro de outono.A terra está ligeiramente molhada pela chuva.Ouço um gaio.O canto é triste.Encontrei você na história novamente.Existe outra palavra para ‘‘divino’’?Preciso de uma canção que mantenha o céu aberto em minha mente.Se eu pensar para trás, posso quebrar.Se eu pensar para frente, perco o agora.Para sempre será um dia assim,Perfeitamente enlaçado…
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Thomas Lux – Irreconciliabilidade

Não importa o que você faça,não é possível retê-lo por muito tempo,nem trazê-lo de volta. O céu, o céu vazio,quase azul, as casas modestas do sono,cobertas de musgo, irão chamá-lo. Não importa o quanto você ame,este amor vai passar, vai passar,seus amigos imortalizados, partiram, se perderam. Incandescem os verãose os anos, e tudo o que…
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Mario Benedetti – Currículo

A história é muito simplesvocê nascecontempla aturdidoo vermelho-azul do céuo pássaro que emigrao desajeitado besouroque seu sapato esmagarádestemido você sofrereclama por comidae por hábitopor obrigaçãochora isento de culpasexaustoaté que o sonho o desqualifique você amase transfigura e amapor uma eternidade tão efêmeraque até o orgulho se torna ternoe o coração proféticose converte em escombros você…
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Raymond Antrobus – Duas armas no céu para Daniel Harris

Quando Daniel Harris saiu do carro1,o policial estava à espera. Arma erguida. Uso o pretérito, embora seja irrelevantena língua de Daniel, que é a dos sinais. Sinais não têm futuro nem pretérito; é língua do presente.Nunca se está mais presente do que quando uma arma é apontada para você. Que língua expressa issose não a…
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Mark Strand – Meu nome

Certa noite, quando a relva estava verde-douradae as árvores marmorizadas pelo luar se erguiam como novos memoriaisno ar perfumado, e toda a paisagem pulsavacom o zumbido e o murmúrio dos insetos, eu estava deitado na grama,sentindo imensas distâncias se abrirem acima de mim, e me pergunteio que eu me tornaria — e onde encontraria a…
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Ursula K. Le Guin – Prece de uma Noite de Janeiro

Sinos badalam, excêntricos ventosassobiam gelados vindos das terras desérticassobre as montanhas. Janus, Senhordo inverno e dos começos, fendidoe abalado, com duas faces,sentinela dos portões dos ventos e das cidades,deus dos insones:livra-me da gélida invejae da ira mesquinha. Abreminha alma para os vastoslugares escuros. Diz-me, e diz de novo:nada nos é tomado, só ofertado. Trad.: Nelson…
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Walt Whitman – Uma meia-noite clara

Esta é tua hora, ó Alma, teu voo livre rumo ao inexprimível,Longe dos livros, da arte, o dia desfeito, a lição concluída,Tu emergindo plenamente, silente, contemplativa, refletindo sobre os temas que mais amas:A noite, o sono, a morte e as estrelas. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua…
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Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-lascedo porque nesse dia chegoutambém o frio e passamosa manhã falando do tempo.São duas, e me pergunto quedestino imprevisto as trouxea esta árvore precisa, a este exatolugar onde o tempo delascruza, como um enigma confuso,nosso tempo.À tarde, conversamos sobre elas:“Esta espera delas, imóvel, paciente – dizes -,não sei que imagem estranha e…
