Tag: Amor
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Pablo Neruda – De “Cem Sonetos de Amor”

XII Plena mulher, maçã carnal, lua quente, Espesso aroma de algas, lodo e luz pisados, Que obscura claridade se abre entre tuas colunas? Que antiga noite o homem toca com seus sentidos? Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas, com ar opresso e bruscas tempestades de farinha: amar é um combate de…
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Ferreira Gullar – Digo Sim

Poderia dizer que a vida é bela, e muito, e que a revolução caminha com pés de flor nos campos de meu país, com pés de borracha nas grandes cidades brasileiras e que meu coração é um sol de esperança entre pulmões e nuvens Poderia dizer que meu povo é uma festa só na voz…
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Adilia Lopes – Absolver (com algumas coisas de Helberto Hélder)

“Mas Maria guardava todas essas coisas, conferindo-as em seu coração” Lc 2,19 Chama-se sexo a uma parte do corpo como se todo o corpo as mãos os pés a cabeça não fossem também sexo o pênis a vagina os testículos as maminhas são frágeis vulneráveis estão expostos à crueldade são flores ou musgos posso estar…
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Vinícius de Moraes – O Verbo no Infinito

Ser criado, gerar-se, transformar O amor em carne e a carne em amor; nascer Respirar, e chorar, e adormecer E se nutrir para poder chorar Para poder nutrir-se; e despertar Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir E começar a amar e então sorrir E então sorrir para poder chorar. E crescer,…
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Nicanor Parra – Cartas a uma Desconhecida

Quando passarem os anos, quando passarem os anos e o ar tenha cavado um fosso entre tua alma e a minha; quando passarem os anos e eu só seja um homem que amou, um ser que se deteve um instante diante de teus lábios, um pobre homem cansado de andar pelos jardins, onde estarás tu?…
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Ana Martins Marques – Interiores

AÇUCAREIRO De amargo basta o amor Agridoce, ela disse Mas a mim pareceu amargo CADEIRA I Repetes diariamente os gestos do primeiro homem que se sentou numa tarde quente olhando as savanas II Pouso de gigantescos pássaros cansados FRUTEIRA Quem se lembrou de pôr sobre a mesa essas doces evidências da morte? CRISTALEIRA Guarda e…
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W. H. Auden – Aquele que Ama Mais

Contemplando as estrelas, logo eu discirnoQue, por elas, eu posso ir para o inferno,Porém, na terra, a indiferença é o que menosTemos a temer, de animais e humanos Como seria se os astros de paixãoPor nós ardessem e disséssemos não?Se os afetos nunca podem ser iguaisPois que seja eu aquele que ama mais. Por mais…
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Jaime Sabines – Te Amo às Dez da Manhã

Te amo às dez da manhã, e às onze, e ao meio-dia. Te amo com toda a minha alma e com todo o meu corpo, às vezes, em tardes chuvosas. Mas às duas da tarde, ou às três, quando eu me perco em pensar em nós dois, e tu pensas em comida ou nas tarefas…
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Paulo Henriques Britto – Envoi

O tempo, que a tudo distorce, às vezes alisa, conserta, e a golpes cegos acerta: em seu tosco código Morse de instantes sem rumo e roteiro então dá forma a algo de inteiro. Não um verso, que em folha esquiva a gente retoca e remenda até ser coisa que se entenda, mas algo que na…
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Armando Freitas Filho – Sibilante

Cego aço doce corte de navalha ou de folha de papel: só sangra bem depois da ação, da posse do sentido e sentimento que o amor concede não isento do ciúme.