Tag: Amor
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Wislawa Szymborska – Amor à Primeira Vista

Ambos estão certos de que uma paixão súbita os uniu. É bela esta certeza, mas é ainda mais bela a incerteza. Acham que por não terem se encontrado antes nunca havia se passado nada entre eles. Mas e as ruas, escadas, corredores nos quais há muito talvez se tenham cruzado? Queria lhes perguntar, se não…
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Hilda Hilst – Roteiro do Silêncio

Não há silêncio bastantePara o meu silêncio.Nas prisões e nos conventosNas igrejas e na noiteNão há silêncio bastantePara o meu silêncio.Os amantes no quarto.Os ratos no muro.A meninaNos longos corredores do colégio.Todos os cães perdidosPelos quais tenho sofrido:O meu silêncio é maiorQue toda solidão.E que todo silêncio.
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José Saramago – Não me Peçam Razões

Não me peçam razões… Não me peçam razões, que não as tenho, Ou darei quantas queiram: bem sabemos Que razões são palavras, todas nascem Da mansa hipocrisia que aprendemos. Não me peçam razões por que se entenda A força de maré que me enche o peito, Este estar mal no mundo e nesta lei: Não…
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Luiz Olavo Fontes – Meu Amor de Soslaio

Faz tanto calor no Rio de Janeiro que é bom sentir essa neve partir de seu olhar in http://antoniocicero.blogspot.com.br/2008/07/luiz-olavo-fontes-meu-amor-de-soslaio.html
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Paulo Henriques Britto – Geração Paissandu

Vim, como todo mundo do quarto escuro da infância, mundo de coisas e ânsias indecifráveis, de só desejo e repulsa. Cresci com a pressa de sempre. Fui jovem, com a sede de todos, em tempo de seco fascismo. Por isso não tive pátria, só discos. Amei, como todos pensam. Troquei carícias cegas nos cinemas, li…
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Gary Snyder – Dezembro em Yase

Naquele Outubro em que escolheu ser livre na grama alta e seca junto ao pomar você disse “quem sabe um dia, talvez daqui a dez anos”. Terminada a universidade te vi só mais uma vez. Você estava estranha. E eu obcecado com um projeto. Agora se passaram os tais dez anos e até mais um…
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Yehuda Amichai – O Corpo é a Causa do Amor

Primeiro o corpo é a causa do amor depois a fortaleza que o protege por fim seu cárcere. E quando o corpo morre, o amor jorra caudalosamente como de um caça-níqueis clandestino quebrado jorram de súbito com estrondo todas as moedas de gerações e gerações entregues à própria sorte.
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William Shakespeare – Romeu e Julieta (excerto)

“Esses prazeres violentos têm fins violentos e morrem em seu triunfo, como o fogo e a pólvora, que, ao se beijarem, se consomem. O mais doce mel repugna por sua própria doçura, e seu sabor confunde o paladar. Portanto, ama com moderação. O amor duradouro é moderado. Quem corre demais chega tão atrasado como aquele…
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Yehuda Amichai – Outra Vez o Amor Terminou

Outra vez o amor terminou, como uma boa safra de laranjas, ou como uma boa temporada de escavações, que extraiu das profundezas coisas comovidas que buscavam o esquecimento. Outra vez o amor terminou. E como depois de se demolir uma casa grande e retirar os escombros, visitamos o terreno vazio e quadrado e dizemos: como…
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Ricardo Silvestrin – Sem Título

ruas têm coração de pedra não espere nada do seu amor por elas a não ser cimento, asfalto e uma família nova na casa de um velho conhecido quando menos se espera uma rua muda de sentido