Em um janeiro congelante, meus amigos e eu
arrastávamos árvores de natal descartadas
das calçadas de nossa cidade tiritante
para um terreno baldio. Um fósforo aceso e o fogo
correu por um galho seco como um jorro de vida.
Um sopro de vento e a pilha se incendiou,
flamejou acima de nossas cabeças. Ondas de seda.
Aroma de breu e bálsamo em nossas narinas.
Ficamos de pé em círculo ao redor do corpo do fogo —
aproximando-nos o máximo que cada garoto ousava,
nossos rostos ardendo pelo calor e pelo frio,
o açoite daquela estrela selvagem explodindo numa noite de inverno.
Trad.: Nelson Santander
Second Life of Christmas Trees
In frozen January, my friends and I
would drag discarded Christmas trees
from the sidewalks of our shivering town
to an empty lot. One match and fire
raced down a dry sprig like a spurt of life.
A puff of wind and the pile ignited,
flamed above our heads. Silk waves.
Spice of pitch and balsam in our nostrils.
We stood in a ring around the body of the fire—
drawn close as each boy dared,
our faces stinging from the heat and cold,
lash of that wild star burst on a winter night.

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