Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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William Soares dos Santos – A força do desejo

A força do desejo se desfaz tão logo se saciam as tensões ferozes do corpo e dos hemisférios e no destino dos braços do tempo os amantes se perdem em mistérios
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Andreia C. Faria – “Tenho a pedir-vos que não reutilizeis mais nada”

“Tenho a pedir-vos que não reutilizeis mais nada”, um poema de Andreia C. Faria
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Manuel António Pina – Gare du Sud

Tudo o que temos pertence a outros, desconhecidos de nós, e ainda a outros, e temo-lo como se o perdêssemos ficando uma sombra, a nossa sombra. Estamos longe de casa e essa sombra é a única morada a que podemos acolher-nos. A nossa voz não somos capazes já de ouvi-la, balbuciante; e se a ouvíssemos…
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Paulo Henriques Britto – À margem do Douro

Não espero nada, e já me satisfaçocom a consciência de ainda estar em mime não de volta ao nada de onde vim.Por ora, ao menos, ainda ocupo espaço,junto a uma mesa no Cais da Ribeira;permito-me, sem culpa, desfrutarde pão, e queijo, e vinho, e vista, e ar,todo o entorno da minha cadeira.Que os dias que…
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Rui Knopfli – Fim de tarde no café

Na tarde cor de azebre falávamos de coisas amargas. Ali, na mesa triste do café com moscas adejando sobre restos de açúcar e um copo de água morna de esquecida, falávamos da amargura das coisas, entre rostos graníticos e enxovalhados, entre estranhos e estranhos de estranhos e os que, nada tendo de estranhos, cuidam de…
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Bruno Darcoleto Malavolta – Epicurus Revisited

disco, agulha, caixas onde ouço os sonhos de coltrane e duke ellington o velho violão em que aprendi os primeiros acordes o novo violão, superior, trincado poemas que li, poemas que escrevi, por todos os lados uma cadeira, uma mesa, um cigarro, um filtro de água o meu corpo cercado por gatos neste exato ponto…
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Carlos Drummond de Andrade – Desfile

O rosto no travesseiro, escuto o tempo fluindo no mais completo silêncio. Como remédio entornado em camisa de doente; como na penugem de braço de namorada; como vento no cabelo, fluindo: fiquei mais moço. Já não tenho cicatriz. Vejo-me noutra cidade. Sem mar nem derivativo, o corpo era bem pequeno para tanta insubmissão. E tento…
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Vasco Gato – Eterno Outono

Estou com a idade pousada nas mãos. Explico-me com dedicação aos berços fundos onde cada coisa dorme o seu medo de morrer. Há na tristeza um perigo de terminar: o eterno outono parece belo a quem perdeu todas as sementes. Pergunta-se um nome e ninguém responde. Onde fica essa ilha a que só chegamos por…
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Nuno Júdice – Poema (Arredores)

A brancura dos ossos, em contraste com a terra argilosa, com a erva, com a parede arruinada, faz-me lembrar leite, papel, cal, e também as tuas mãos – frias. Bebo o seu brilho numa noturna memória. Uma contaminação de corpos não reduz a minha solidão; nem a música, nem o riso, nem o vinho. Lágrimas…
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Helder Moura Pereira – “Eu não tinha nada de felino…”

Eu não tinha nada de felino, tu sabias que eu não tinha nada de felino. Nenhum de nós se admirou quando medi mal a distância e falhei o salto. Enquanto ia no ar parecia que era um salto bom, porém houve qualquer coisa que correu mal e caí com estrondo no chão. Ninguém riu. Não…