Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Diego Moraes – Já se passaram dez anos

Já se passaram dez anosAcabou a bateria do relógio que você me presenteou no natal queseu tio ficou bêbado de vinho Dom Bosco e disse na frente dos filhose da esposa que era gay e viveria com um travesti búlgaroem LondresJá se passaram dez anosOs poemas que escrevi quando gozava nos teus peitos de atriz…
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Inês Lourenço – Sala Provisória

Nunca se sabequando estamos num lugarpela última vez. Numa casaque vai ser demolida, numa salaprovisória que vai encerrar, num velhocafé que mudará de ramo, comopágina virada jamais reaberta, comocanção demasiado gasta, comoabraço tornado irrepetível, numaporta a que não voltaremos. REPUBLICAÇÃO: publicado no blog originalmente em 02/12/2018
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Maria do Rosário Pedreira – retina

retina Eu, que nunca pensei deixar de serfilha, faço agora de mãe da minha mãeaos domingos: sou a sua muleta nos longos corredores da casa antiga echego-lhe mantas aos joelhos porqueos velhos tremem em vida com o frioda morte. Para fugir às coisas que a entristecem, pergunto-lhe por gentedo passado, pois sei que o que…
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Inês Lourenço – Balada dos Amores Difíceis

“Balada dos Amores Difíceis”, um poema de Inês Lourenço que celebra os amores anônimos e persistentes, aqueles que sustentam o mundo sem jamais se tornarem lenda ou verso célebre.
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezopelo que é transitório e finito. Não servireisenhor que possa morrer. Mas passamosa vida a amar todas as fragilidadesdas coisas que cessam. Hácoisa mais breve do que um sorriso?Coisa mais curta que a alegriade um reencontro? Tudo o que amamosé passageiro e frágil ouas duas coisas. Mas persegue-nosa nostalgia do infindávelcomo uma tara hereditária.…
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Mario Quintana – Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam.Agora todos os caminhos vêm.A casa é acolhedora, os livros poucos.E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 10/01/2018
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Mario Cesariny – Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londrescantam todo o invernocomo se o frio fosseo maior aconchegonos parques arrancadosao trânsito automóvelnas ruas da neve negrasob um céu sempre duroos pássaros de Londresfalam de esplendorcom que se ergue o estioe a lua se derramapor praças tão sem corque parecem de panoem jardins germinandosob mantos de gelocomo se gelo forao linho…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa,que a vida está um desertoe o coração só me pulsasombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa,que a lua avança no mare há salobros fantasmasque não quero visitar. Vamos beber qualquer coisaamarga, rascante, rude,brindando sobre o…
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Miguel Torga – Sísifo

Recomeça…Se puderesSem angústiaE sem pressa.E os passos que deres,Nesse caminho duroDo futuroDá-os em liberdade.Enquanto não alcancesNão descanses.De nenhum fruto queiras só metade.E, nunca saciado,Vai colhendoIlusões sucessivas no pomar.Sempre a sonharE vendo,Acordado,O logro da aventura.És Homem, não te esqueças!Só é tua a loucuraOnde, com lucidez, te reconheças.
