Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Fernando Sabino – Certeza

Fernando Sabino – Certeza De tudo, ficaram três coisas:A certeza de que estamos sempre começando.A certeza de que precisamos continuar.A certeza de que seremosinterrompidos antes de terminar.Portanto devemos:Fazer da interrupção um caminho novo.Da queda um passo de dança.Do medo, uma escada.Do sonho, uma ponte.Da procura, um encontro. _________________________________________ A vida… A vida é um eterno…
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Ana Martins Marques – Batata Quente

Leia “Batata Quente”, de Ana Martins Marques, um poema breve e engenhoso sobre amor, vulnerabilidade e o risco de confiar o coração a outra pessoa.
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João Cabral de Melo Neto – Como a Morte se Infiltra

Certo dia, não se levantaporque quer demorar na cama. No outro dia ele diz por que:é porque lhe dói algum pé. No outro dia o que dói é a perna,E nem pode apoiar-se nela. Dia a dia lhe cresce um não,um enrodilhar-se de cão. Dia a dia ele aprende o jeitoem que menos lhe pesa…
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Laura Liuzzi – Fio Sem Fim

Chega-se, enfim, à última páginaembora deixe claro: não se chegaao fim. Um mesmo fio fino frágilmas firme, da mesma fibra de rioconduz memória e história: storage— está estendido para sempree para sempre soará, suaráa cada renovação do sol, mesmoquando atingirmos o final —mesmo assim não se chegaráao fim. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em…
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José Saramago – É tão fundo o silêncio…

É tão fundo o silêncio entre as estrelas.Nem o som da palavra se propaga,Nem o canto das aves milagrosas.Mas lá, entre as estrelas, onde somosUm astro recriado, é que se ouveO íntimo rumor que abre as rosas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 15/12/2017
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Carlos Drummond de Andrade – O Retrato Malsim

O inimigo maduro a cada manhã se vai formandono espelho de onde deserta a mocidade.Onde estava ele, talvez escondido em castelos escoceses,em cacheados cabelos de primeira comunhão?Onde, que lentamente grava sua presençapor cima de outra, hoje desintegrada? Ah, sim: estava na rigidez das horas de tenência orgulhosa,no morrer em pensamento quando a vida queria viver.Estava…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…
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José Paulo Paes – Epitáfio para um banqueiro

REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 01/12/2017
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Ivan Junqueira – No Leito Fundo

No leito fundo em que descansas,em meio às larvas e aos livores,longe do mundo e dos terroresque te infundia o aço das lanças; longe dos reis e dos senhoresque te esqueceram nas andanças,longe das taças e das danças,e dos feéricos rumores; longe das cálidas criançasque ateavam fogo aos corredorese se expandiam, quais vapores,entre as alfaias…
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Ivan Junqueira – de “Três Meditações na Corda Lírica”

Only through time time is conquered.T. S. Eliot, Four Quartets, Burnt Norton, 92 I Deixa tombar teu corpo sobre a terrae escuta a voz escura das raízes,do limo primitivo, da limalhafina do que é findo e ainda respira.…